Artigos, Bispos › 20/07/2022

Jesus nos ensina a cultivar a oração

Ao ouvirmos a 1ª Leitura da Missa de hoje (Gênesis 18,20-32), vimos como Abraão intercedeu pelos habitantes da cidade de Sodoma, cujos pecados os levaram à sua própria destruição. Em Sua infinita bondade, o Senhor estava disposto a ouvir a intercessão e o pedido de perdão apresentados por Abraão. A maior tragédia, porém, foi que não havia nem mesmo dez justos naquela cidade. Este texto nos faz refletir sobre o valor da oração cheia de confiança e de humildade, permitindo-nos descobrir a misericórdia de Deus e estar mais dispostos a perdoar do que punir.

A Sagrada Escritura sempre nos aconselha a orar para agradecer a Deus em todas as situações que vivenciamos.

Também o Evangelho de hoje (Lucas 11,1-13) responde a essas perguntas. A oração do Pai-Nosso que Jesus ensinou aos seus discípulos, quando lhe pediram que os ensinasse a rezar, constituí a síntese de toda a mensagem cristã e um modelo de como devemos nos dirigir a Deus na oração. Reflete o conteúdo de quem é este Deus revelado por Jesus.

Nós, cristãos nos dirigimos diretamente a Deus porque sabemos que ele é o Pai com quem todos podemos falar. Quando sua salvação chega à humanidade, seu nome é santificado, ou seja, reconhecido como santo por quem ora: quando um coração é liberto do ódio; quando um doente é restaurado à saúde ou quando alguém é reconduzido à harmonia e à paz, nasce da alma humana um grito de júbilo à santidade de Deus.

Nossas orações mudam nosso coração, não a atitude de Deus, pois permite que aprendamos a acolher seu Reino enquanto nos transformamos e nos dispomos a cooperar com sua vontade no plano de salvar a humanidade.

Alimentação, vestuário, habitação e transporte, saúde, são as necessidades básicas de todos os homens. Quando pedimos “pão”, pedimos que não nos falte nunca o pão que é Jesus, pão da Eucaristia e o pão da Palavra de Deus. Também nos colocamos em um estado de constante questionamento interior que nos lembra que essas necessidades básicas não se aplicam apenas a nós, mas a todos, e que não podemos permitir em nós qualquer sombra de egoísmo e de indiferentismo frente aos sofrimentos dos irmãos.

No cristão que ora, o amor ao próximo deve fazer esquecer os erros dos irmãos e a buscar a reconciliação, porque na medida em que dermos atenção aos outros receberemos a atenção de Deus.

Problemas, dificuldades, provações podem nos levar a crises e a sufocar a semente da Palavra de Deus em nós. Por isso, nós pedimos que não caiamos na tentação de abandonar a lógica do Evangelho para seguir o raciocínio das tentações mundanas.

Orar significa sair de si mesmo e abrir-se para uma conversa amorosa e íntima com nosso Pai Celestial, assim como somos: cheios de desejos e boa vontade, mas também limitados e pobres. Quando estabelecemos esse diálogo, nos abrimos a Deus e nos tornamos sensíveis às necessidades de nossos irmãos e irmãs.

Unidos a Cristo pelo batismo, como nos diz São Paulo na 2ª Leitura de hoje (Colossenses 2,12-14) a graça batismal que nos fez morrer para o pecado e é um chamado constante para renunciarmos à nossa imperfeição e nos unirmos na nova vida do Cristo ressuscitado. Assim, tornamo-nos colaboradores ativos dos dons de Deus em caminhos humanos que nem sempre são fáceis e agradáveis, mas exigem esforço e sacrifício. Somente sendo pessoas de oração é que poderemos ver o mundo com os olhos de Deus.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen