Artigos, Bispos › 03/03/2022

Jesus nos liberta do pecado

Estamos já vivendo o tempo santo da Quaresma. Somos convidados a viver este período com um autêntico espírito de fé e um desejo de verdadeira conversão, que se manifesta na intensificação da oração para nos unir mais a Deus, na mortificação do nosso corpo, para nos tornar mais livres e despojados de nós e na vivência concreta da caridade para com o próximo, como sinal de amor concreto. É também o tempo de fazermos uma boa Confissão dos nossos pecados.

Este é o tempo que nos prepara para celebrarmos bem a Páscoa da Ressurreição de Nosso Senhor. Por isso, a Quaresma é este período sagrado de uma renovadora ascese, ou seja, tempo de luta, de combate. Neste sentido, a penitência, que se expressa através do jejum e da abstinência de carne nos dias indicados pela Igreja (os dias obrigatórios são a quarta-feira de cinzas e a sexta-feira santa, mas devemos ampliar estes dias em todas as sextas-feiras do ano) tem a finalidade de nos libertar de nós mesmos: de nosso egoismo, de nossa frouxidão no relacionamento com Deus, no descaso frente aos problemas e dificuldades do próximo, no descuido que temos em relação à nossa vida, dando exagerado valor aos nossos gostos e desejos.

Neste 1o Domingo da Quaresma C, a Liturgia da Palavra nos ensina a necessidade desta luta que nasce de uma alma que busca verdadeiramente a Deus.

A 1a Leitura (Deuteronômio 26,4-10) mostra uma realidade: o que alimentava a fé do Povo eleito era a “memória” viva de um fato, a libertação do Egito. Este acontecimento era transmitido a todos os judeus, para que nunca esquecessem suas raízes espirituais: a ação de Deus que os tirou do Egito e cuidou sempre de seu povo.

Na 2a Leitura (Romanos 10,8-13) o Apóstolo São Paulo nos ajuda a reconhecer que Jesus é a causa da salvação que recebemos de Deus. É preciso que estejamos sempre atentos ao perigo de imaginar que a salvação seja consequência de um simples esforço humano. Sem Jesus em nossa vida, nada do que fizermos será suficiente para nos levar a viver em comunhão com Deus.

No Evangelho (Lucas 4,1-13) São Lucas nos apresenta as tentações do Senhor, mostrando que para Jesus esta prova foi apenas o início da batalha que Ele deveria travar contra o diabo. O ponto alto desta luta acontecerá na cruz, onde o Senhor vencerá definitivamente o inimigo de Deus. Jesus, como homem, sofre as tentações que todos nós sofremos no decorrer de nossas vidas: a tentação da concupiscência da carne, da concupiscência dos olhos e da soberba de vida. A vitória de Jesus se dá por sua fidelidade à Palavra de Deus. Assim, Jesus se transforma em modelo e paradigma para todos nós, cristãos. É na medida em que nos abrirmos à Palavra de Deus e à Graça dos Sacramentos, que nós também venceremos o demônio.

Neste ano, a Campanha da Fraternidade que tem como tema “Fraternidade e Educação” e o lema “fala com sabedoria, ensina com amor” (cf. Pr. 31,26), nos ajuda a compreender a importância da Educação para podermos viver uma vida de maior comunhão com Deus e de maior fraternidade para com nossos irmãos.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen