Artigos, Bispos › 20/07/2022

Mesmo na velhice darão frutos

Aproveito a síntese que o Pe. Roque Hammes fez da Mensagem do Papa Francisco para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que será celebrado neste domingo, dia 24 de julho, para chegar na casa de muitas pessoas queridas que nos leem ou ouvem e assim animar-nos mutuamente.

Muitas pessoas tem medo da velhice. Consideram-na uma espécie de doença. Mas, na realidade, uma vida longa é uma bênção, e os idosos são sinais vivos da benevolência de Deus que efunde a vida em abundância. Bendita a casa que guarda um ancião! Bendita a família que honra seus avós!

A velhice constitui uma estação que não é fácil de entender. Embora chegue depois de um longo caminho, ninguém nos preparou para a enfrentar. Somos tentados a exorcizá-la, escondendo as rugas e fingindo ser sempre jovens. A consciência que as forças declinam pode pôr em crise as nossas certezas, levando-nos a interiorizar a ideia do descarte. Assim se eleva para o céu esta súplica do Salmo: “Não me rejeiteis no tempo da velhice; não me abandones, quando já não tiver forças” (Sl 71, 9).

O mesmo Salmo convida-nos a continuar a esperar: chega a velhice e os cabelos brancos, o Senhor continuará a dar-nos a vida e não deixará que sejamos oprimidos pelo mal. Confiando n’Ele descobriremos que envelhecer não é apenas a deterioração natural do corpo ou a passagem inevitável do tempo, mas também o dom de uma vida longa. Envelhecer não é uma condenação, mas uma bênção!

Por isso, devemos aprender a viver uma velhice ativa, cultivando a vida interior através da leitura assídua da Palavra de Deus, da oração diária, do recurso habitual aos Sacramentos e da participação na Liturgia. E, a par da relação com Deus, cultivemos as relações com os outros: com a família, os filhos, os netos, a quem havemos de oferecer o nosso afeto cheio de solicitude; com as pessoas pobres e atribuladas a quem vamos oferecer ajuda concreta e a oração. Tudo isso ajudará a não nos sentirmos meros espectadores no teatro do mundo, mas sermos uma bênção para quem vive junto de nós.

A velhice não é um tempo inútil: há uma nova missão, que nos espera, convidando-nos a voltar os olhos para o futuro. “A nossa sensibilidade especial de idosos é o nosso contributo para a revolução da ternura, uma revolução espiritual e desarmada da qual vos convido, queridos avós e idosos, a fazer-vos protagonistas”.

O Dia Mundial dos Avós e Idosos é uma oportunidade para dizer mais uma vez, com alegria, que a Igreja quer fazer festa juntamente àqueles que o Senhor “saciou com longos dias”. E o nosso vovô na fé termina dizendo: a todos vós e aos vossos entes queridos, chegue a minha Bênção, com a certeza da minha afetuosa proximidade. Rezem por mim!

Para refletir: Como posso celebrar esse dia dos Avós e Idosos? Que lembranças tenho deles? Como influenciaram minha vida? Quais traços trago deles em minha pessoa? O posso e pretendo fazer hoje como gratidão ao que nos deram?

Textos bíblicos: Gn 18, 20-32; Lc 11, 1-13; Salmos 71 e 92.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório