Artigos, Bispos › 14/04/2022

“Não está aqui, mas ressuscitou.”

Queridos irmãos.

Ressoa na Igreja, e por meio dela em todo o mundo, o feliz anúncio pascal: “O Senhor ressuscitou! Ele venceu a morte e o pecado. Ele vive para sempre”.

Estamos vivendo o tempo da Páscoa, o tempo da alegria e da renovação da nossa vida. Nasce em cada um de nós a certeza da realização da esperança que todos temos enraizada em nossas almas: pelo dom de Deus, com a ressurreição do Senhor, concretiza-se a realidade de uma nova terra, um novo céu, um mundo sem tristezas e sem lutos, um mundo de justiça e de paz, de alegria e de vida. Um mundo sem sombras e sem fim. Tudo é novo. O destino final que nos espera não se restringe a um túmulo, mas após a morte, abrem-se para nós as portas que o Cristo nos abriu: a eternidade junto de Deus. Foi-se embora a tristeza e a dor. Tudo se faz novo!

Este novo ser, o homem novo que ressurge com Cristo do sepulcro, é o verdadeiro homem concebido e pensado pelo Senhor, desde toda a eternidade. É o homem, que em Cristo e por ação da Graça de Deus, é fiel à vocação do ser humano pleno, verdadeiro homem e verdadeiro filho de Deus. Irmão entre irmãos e Filho do eterno Pai.

O homem novo renascido com Cristo pelo Batismo, não é um “outro” homem. É o homem salvo da morte e do pecado, perfeitamente adequado e inspirado pela Graça de Deus, este Deus que o fez seu filho, unindo-o a Cristo, Filho Unigênito do Pai.

A graça pascal faz morrer o homem velho, aquele que vive iludido, pensando poder realizar o destino de sua vida, fundamentando sua existência tão somente em suas capacidades humanas.

O novo homem, nascido do Cristo Pascal é aquele que estrutura sua existência na fidelidade à vontade do Pai, na obediência amorosa aos planos de um Deus que é Amor e que o resgata do pecado, para fazê-lo sentir-se amado e para dar-lhe a condição de amar, assim como Jesus amou.

A Páscoa é a passagem de um tipo de vida para outro. É saída do Egito da escravidão do pecado, através da imersão batismal no mar da Graça de Deus, fazendo-nos caminhar pelo deserto da vida, até o céu, a realização mais completa da autêntica terra prometida. A Páscoa nos revela o destino eterno para o qual fomos gerados no Batismo: somos chamados para o céu. E esta vida nada mais é do que um “êxodo” deste mundo para o Pai.

Mergulhados na fonte batismal, mortos para o pecado e ressuscitados para a Graça, somos chamados a “caminhar em novidade de vida” como filhos amados de Deus.

Feliz e Santa Páscoa para todos.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen