Artigos, Bispos › 20/05/2022

No peregrinar da vida, somos todos romeiros

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O mês de maio é lembrado pelo dia das mães, pelas aparições da Virgem Maria, em Fátima, pela nossa romaria Diocesana de Nossa Senhora de Caravaggio, pela religiosidade popular do nosso querido povo de Deus, que vive uma constante Romaria, na peregrinação da vida, em direção à casa do Pai. O ponto de partida do Romeiro é o amor a Deus, a si mesmo e ao próximo. Os romeiros que vão aos Santuários Marianos levam no coração as marcas de um amor materno de proximidade, ternura e compaixão, que nos lembram o carinho e o afeto maternal de Maria, a mãe de Jesus e nossa mãe na fé. Maria, a primeira seguidora de Jesus Cristo, nos recorda o nosso compromisso de batizados, que é seguir Jesus, como discípulos e missionários do Reino. Mas o discípulo, para poder viver em comunhão com o Mestre, deve colocar-se à escuta do que ele tem a dizer e alimentar-se do pão Palavra e do pão da vida eterna, a Eucaristia.

O cristão precisa ter presente que a peregrinação da vida e a história obedecem, em primeiro lugar, o projeto de Deus, que quer a vida para todos. Por isso, ele é sempre levado a buscar o significado profundo dos acontecimentos, para além de seus caprichos e interesses imediatos. Centralizada no amor a Deus e ao próximo, a vida cristã é essencialmente uma realização comunitária. A comunidade é o ambiente vital para os cristãos; é nela que eles partilham a vida e encontram o apoio para perseverar na fé. Por isso, a comunidade deve ser preservada de qualquer divisão, que provém da competição pelo poder, da busca de privilégios e de sectarismos. A preocupação com a reconciliação é um dever de todos, e supõe imparcialidade quando aparecem conflitos.

A comunidade cristã precisa reconhecer que tudo o que ela é e possui é dom de Deus. Viver em comunidade, portanto, supõe que cada um confie plenamente no dom de Deus. Mas, ao mesmo tempo, requer uma educação para isso. E o ponto fundamental é a instrução no temor de Deus. Não se trata de ter medo de Deus, mas de reconhecer que Deus é o Senhor e doador da vida, e seu projeto é que todos repartam a vida entre todos. A educação cristã começa aqui, ajudando as pessoas, para que elas possam compreender que não são autossuficientes e independentes, mas interdependentes, complementando-se mutuamente na partilha do que cada um é.

Se o caminho da vida é temer e amar a Deus e ao próximo, o caminho da morte é o contrário: começa com a ausência do temor de Deus. Sem esse temor, o homem se coloca no lugar de Deus e passa a se julgar como centro e senhor da vida, dispondo de tudo e de todos, sem a menor consideração pela vida e a liberdade de seus semelhantes. Quando o homem usurpa o lugar de Deus, cria automaticamente o projeto da escravidão e da morte. À luz do Evangelho, a comunidade cristã, consciente de que é povo de Deus a caminho da casa do Pai, alimenta a sua vida de fé na oração, sem descuidar da comunhão fraterna, da acolhida e da caridade.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul