O amor fortalece os laços de proximidade

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! No mês de agosto, Mês Vocacional, lembramos das vocações aos ministérios ordenados, daqueles que abraçaram a vocação e se consagraram ao Senhor, na vida religiosa masculina ou feminina, dos catequistas, dos leigos e leigas que, assumindo a dimensão do sacerdócio comum dos batizados, abraçam a vida cristã como discípulos missionários de Jesus Cristo, comprometidos e engajados nas pastorais e movimentos, mas também nos Conselhos das comunidades, vivendo a dando testemunho da sua fé no mundo do trabalho, no cotidiano da vida familiar e na sociedade.

Ao lembrarmos e celebrarmos o dom da vocação, abraçada e vivida como escolha de vida, queremos, neste segundo domingo do Mês Vocacional, trazer presente e colocar nas nossas orações os nossos “pais”. Mesmo diante dos ventos de mudanças que sopram na sociedade e, em certos aspectos fragilizam a importância da família, não podemos esquecer que a família envolve de modo profundo a realidade pessoal, social e histórica de toda pessoa.

A família tem passado por muitas “provações e transformações” nas últimas décadas. E, acompanhando de perto a realidade social do povo de Deus, atrevo-me a dizer que nem todas as transformações que aconteceram no ambiente familiar favoreceram o fortalecimento da família “como núcleo central da sociedade”. As provações, que muitas vezes ferem e agridem a família, nem sempre nascem no ambiente familiar, mas entram no seu espaço sagrado, perturbando sua harmonia, as pessoas que dela fazem parte, e, por vezes, destroem a integridade da família, santuário do amor, que acolhe a vida e deve protegê-la.

O Concílio Vaticano II diz em um dos seus documentos: “O bem-estar da pessoa e da sociedade humana e cristã está intimamente ligado a uma favorável situação da comunidade, conjugal e familiar” (GS, n° 47). As mudanças ocorridas na sociedade têm provocado mudanças também no papel do pai, dentro da realidade familiar. Passamos de um contexto onde a família dependia fortemente da autoridade do pai, onde a mãe e os filhos eram praticamente submissos à autoridade paterna, a uma paternidade menos autoritária e mais amorosa. Nesta nova realidade social, a autoridade do pai é marcada mais pelo diálogo, a escuta, o respeito, a proximidade e o amor, que sabe valorizar cada pessoa na sua individualidade e ajuda a reforçar os vínculos de comunhão na família, lugar onde todos precisam sentir-se acolhidos e amados. Ser um pai amoroso não é sinal de fraqueza ou ausência de autoridade, mas é expressão do amor divino, daquele amor revelado por Deus Pai ao seu filho Jesus, e manifestado em várias passagens dos Evangelhos, a começar pelo batismo: “Este é o meu Filho muito amado, no qual pus todo o meu agrado” (Mt 3,17).

A formação de uma família também corre seus riscos, e muitas vezes os jovens deixam-se dominar pelo medo da “incerteza”. Por isso, é importante que os jovens façam o discernimento sobre a opção e a vocação ao matrimônio. A opção para a vida matrimonial, como todas as opções de vida, também tem suas provações, mas quem ama de verdade aceita correr riscos em nome do amor. Além disso, a família, para manter-se unida, precisa também exercitar, no seu dia a dia, a escuta, o perdão e a reconciliação. Mas para isso é necessário a presença do amor no coração das pessoas. Sem ele, até mesmo o perdão e a reconciliação, pelas pequenas falhas do cotidiano, podem minar a convivência do casal, e ir aos poucos esvaziando o sentido de pertença de um ao outro, e o sentido de pertença a uma família, da qual podemos dizer com orgulho: esta é a minha família.

 

+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul