Artigos, Bispos › 26/03/2019

O caminho da volta

O Evangelho deste Domingo, o IV Domingo da Quaresma, narra a Parábola do filho pródigo (Lucas 15,1-3.11-32). “Um homem tinha dois filhos. O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dá-me a parte da herança que me toca’. […] Alguns dias depois, o filho mais novo, juntando todos os seus haveres, partiu para um país distante.”

O que o filho pedia ao pai era uma atitude normal na época de Jesus. O mais velho herdava a casa paterna, com os campos e rebanhos, e o filho mais novo herdava um terço da fortuna em dinheiro, para negociar com ele onde quisesse. Talvez, por isso, os judeus foram sempre hábeis negociantes.

O desvio deste jovem esteve em sonhar construir uma felicidade e alegria longe do pai. A visão que tem da vida é egoísta. Ele esbanja no pecado os bens que o pai ganhou com tanto custo.

Somos filhos pródigos todas as vezes que nos deixamos enganar pela ilusão de encontrar a felicidade longe dos Mandamentos da Lei de Deus e, portanto, do Seu Amor.

Há uma mentalidade difundida segundo a qual a felicidade máxima consiste em não ter compromissos de qualquer ordem e deixar-se levar pelos sentidos, pelo que apetece.

Mesmo em assuntos de religião, deixa-se de ir à Missa porque “a Missa não me diz nada”, ”não me dá gosto, portanto, é melhor não ir”.

Com este modo de pensar, é muito fácil que uma pessoa caia sob a tirania de suas paixões baixas. Se tivermos em conta a nossa natural tendência para experimentar novas sensações, conhecer novos mundos podemos compreender a razão porque muitos são reduzidos a escravos.

Sem obedecer a uma lei moral, não somos felizes, tal como, se uma pessoa não respeita umas quantas regras de saúde cai fatalmente doente, mais cedo ou mais tarde.

Este jovem da Parábola, ao afastar-se do pai, ficou sem defesas contra as más companhias que passaram a viver à sua custa.

“Tendo gasto tudo, houve uma grande fome naquela região e ele começou a passar privações. Entrou então ao serviço de um dos habitantes daquela terra, que o mandou para os seus campos guardar porcos”, nos diz a Parábola.

A vida de pecado começa por uma oferta de falsa liberdade. Depois, o cerco vai-se apertando, e a pessoa está cada vez mais tolhida de movimentos. Começa-se por perder a graça santificante e acaba-se por perder todos os outros valores, mesmo os naturais. Quem se abandonou ao pecado deixou de estar em ligação com Deus, fonte de toda a riqueza. A salvação da vida deste rapaz, e também a nossa salvação só se encontra na casa do Pai.

Estamos nos aproximando do final deste Tempo quaresmal. Peçamos a Deus que nos dê a coragem necessária para tomarmos as iniciativas cabíveis, afim de que possamos celebrar a Solenidade da Páscoa renovados. Especialmente que tomemos a decisão de voltar para a Casa do Pai, para o amor de Deus, através de uma boa Confissão de nossos pecados.

+ Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo Diocese de Frederico Westphalen