Artigos, Bispos › 04/06/2020

O Deus da comunhão e da aliança

A 1ª Leitura deste Domingo (Êxodo 34,4-6.8-9) nos mostra como Deus vem ao encontro do homem: “Naqueles dias, Moisés levantou-se muito cedo e subiu ao monte Sinai, como o Senhor lhe ordenara, levando nas mãos as tábuas de pedra. O Senhor desceu na nuvem, ficou junto de Moisés, que invocou o nome do Senhor”. Moisés vai ao encontro do Senhor, no Sinai, levando as Tábuas da Lei. Deus não espera que Moisés percorra toda a distância, mas vem imediatamente ao seu encontro, porque Ele deseja ardentemente dialogar conosco.

Nesta apresentação que faz de Si mesmo, Deus não menciona a sua grandeza e onipotência, o seu poder e majestade; mas menciona as “qualidades” que fazem dele o companheiro ideal nesta “aliança” que fazemos com Ele: é o “Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar e cheio de misericórdia e fidelidade”. O nosso Deus não é alguém isolado, incomunicável, e alheio aos nossos problemas, mas um Deus que vive em comunhão das Três Pessoas e se abre à comunhão conosco.

Temos, por vezes, uma imagem falsa de Deus. Imaginamo-lo à nossa imagem e semelhança, alguém superior a nós, mas sem paciência para suportar as nossas falhas, cioso da sua autoridade, de modo que castiga inexoravelmente a menor falta de respeito, e mantém-se invariavelmente de rosto sério e distante.

No centro deste texto do Êxodo encontra-se uma afirmação que nos enche de paz e de alegria: Deus ama o seu Povo e cuida dele com bondade e ternura. A sua misericórdia é ilimitada e, aconteça o que acontecer, está sempre disponível para nos atender. Nós, que somos o seu Povo da Aliança, podemos estar tranquilos e confiantes, pois o Deus do amor e da misericórdia garante-nos a sua eterna fidelidade ao seu Amor por nós. Nenhuma pessoa do mundo se pode queixar com verdade de que Deus a abandonou, mesmo que se tenha distanciado muito dele.

O Senhor está sempre junto de nós, atento ao menor sinal de que desejamos voltar para Ele, porque a sua maior alegria é perdoar, embora aceite com paciência os nossos caprichos e pecados. Ele se nos dá a conhecer, manifestando-nos a sua vida íntima, para nos convidar a entrar nela. Ele é o Deus da misericórdia. “O Senhor passou diante de Moisés e proclamou: o Senhor, o Senhor é um Deus clemente e compassivo, sem pressa para se indignar cheio de misericórdia e fidelidade”.

Deus rompe o silêncio e a timidez de Moisés, fazendo a sua apresentação, não com os atributos que falam da sua grandeza, mas com aquilo que melhor nos conforta na Aliança: o Deus da misericórdia e do perdão gratuito. Ele define-se com dois atributos que nos enchem de alegria:

  • Misericórdia. É o Amor gratuito que não se cansa de se dar, que não passa fatura, e que está sempre disponível para acolher.
  • Fidelidade. A fidelidade é a virtude que leva uma pessoa a cumprir generosamente as suas promessas, mesmo quando a outra parte as não cumpre, ou seja, esta virtude não depende da atitude da outra pessoa. Mesmo que ela falte, a pessoa fiel cumpre.

Celebremos com alegria esta Solenidade da Santíssima Trindade.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen