Artigos, Bispos › 20/05/2019

O Espírito Santo é o guia dos cristãos

O Espírito Santo é para os cristãos o Dom do Pai e do Filho, como escutamos no Evangelho deste Domingo (João 14,23-29). É o Espírito Santo que ensina e recorda tudo o que Jesus ensinou: «O Espírito vos ensinará todas as coisas e recordará tudo o que Eu vos disse».

Inúmeras situações se colocaram à Igreja nascente e também se colocam à Igreja de hoje. Como lidar com os novos movimentos religiosos? Como gerir as situações de divórcio, do aborto, da eutanásia, da ideologia do gênero, etc.? Como enfrentar os desafios da pobreza, da miséria, da falta de trabalho? São estas e muitas outras situações de fratura que têm implicação com os ensinamentos de Jesus.

Jesus garante que os seus discípulos encontrarão sempre uma resposta às suas perguntas, uma resposta que esteja de harmonia com os seus ensinamentos. É preciso escutar a sua palavra e abrir o coração à inspiração do Espírito. Depois, é preciso ter coragem para seguir as suas indicações, porque, talvez Ele exija mudanças de caminho tão imprevistas como fundamentais. O Espírito apenas ensinará o Evangelho de Jesus.

O Espírito também tem como missão recordar. No Evangelho, há muitas palavras de Jesus que facilmente são esquecidas e postas de lado. O Espírito as recordará para nós se estivermos atentos aos seus apelos e atuarmos na nossa vida com os mesmos sentimentos de Jesus.

Para sabermos se de fato Deus habita em nós, basta interrogarmo-nos, com toda a sinceridade, sobre o que dizem de nós no trabalho, em casa, na escola, na comunidade, nas diversões: «Quem Me ama guardará a Minha palavra e o Meu Pai o amará; Nós viremos a ele e faremos nele a nossa morada», disse Jesus. Quer dizer que depois de escutarmos a palavra do Evangelho, recebemos a vida de Deus, somos sua morada e levados a realizar as mesmas obras de Jesus. Que avaliação podemos fazer de nós mesmos?

Teremos a coragem de pôr de lado questões pequenas e o desejo de mandar em vez de servir; de externamente sermos pessoas muito religiosas, que proferem bonitas palavras sobre o amor, a paz, o respeito pelos outros, mas depois quando ninguém vê, ofendemos o cônjuge, importunamos os filhos, não ajudamos ninguém e exigimos que nos sirvam? Saibamos colocar o amor à frente da força, a humildade à frente da soberba, o serviço à frente do prestígio. A força do Espírito atua em nós quando nos abrimos totalmente ao seu sopro libertador, como aconteceu com os discípulos reunidos em Jerusalém.

A Igreja primitiva em período de crescimento, mas radicada no ambiente judaico e pagão, enfrentou o primeiro grande conflito, como escutamos na primeira leitura (Atos 15,1-2.22-29). Os Apóstolos, conscientes da presença viva do Dom que Jesus deixou à sua Igreja, sob a inspiração do Espírito Santo e de comum acordo, escolhem mensageiros e enviam-nos, a fim de porem termo à situação e apaziguarem os ânimos mais exaltados com a diversidade de comportamento das diferentes comunidades. A mensagem desta leitura é importante para nós. Alerta-nos para a tentação de impormos aos outros as nossas tradições e a nossa maneira de praticar a religiosidade, sem as distinguirmos do essencial da mensagem de Jesus. O importante é pôr de lado tudo aquilo que é contrário ao Evangelho, para seguirmos serenamente a nossa peregrinação neste mundo a caminho do nosso encontro definitivo com Deus. Cuidemos de viver, como autênticos cristãos, a caridade e o cuidado para com os demais.