Artigos, ATUALIDADES › 18/03/2022

O lugar da maravilha de Deus!

A vinha é um dos símbolos da relação com o Criador. A imagem que ajuda pensar é o jardim! Deus criou o mundo como um jardim, na harmonia, na conexão, no equilíbrio. O jardim, no Cântico dos Cânticos, é onde se dá o encontro do amado e da amada, portanto, lugar do amor. No evangelho de João, Maria Madalena vai ao túmulo para ver o corpo de Jesus morto sem saber da ressurreição e, na entrada, confunde Jesus com um jardineiro. Jesus é o jardineiro da nova criação! A vinha é esse projeto, é esse jardim que Deus sonhou, plantou e organizou com grande amor.

Jesus, no evangelho de hoje, conta mais uma parábola (Mt 21,33-43.45-46). Tratava-se de um vinhateiro que plantou e com muito esmero arrumou tudo para que sua vinha tivesse todo o necessário. Em seguida, confiou-a a alguns vinhateiros. Acontece que no tempo da colheita o proprietário enviou seus servos para recolher as uvas e os vinhateiros os receberam violentamente: apedrejaram alguns e até mataram outros enviados. O dono da vinha aguardou com paciência e novamente enviou outros servos, em maior número, que foram recebidos de igual maneira, com total recusa. Eis que ainda fez uma última tentativa: enviou seu filho para com maior autoridade encontrar os vinhateiros. Também o filho foi morto!

Jesus contou essa parábola para os doutores da Lei e os chefes dos sacerdotes, ou seja, era direcionada para um grupo que se achava acima de todas as coisas, autoridades sobre todas as «vinhas». A vinha é do Pai e nós todos somos colaboradores. Ninguém é dono! Com a parábola, Jesus retomou toda história de Israel – os profetas foram enviados para resgatar a vinha perdida e, depois, também Jesus, o Filho amado, mas todos foram mortos por quem pensa que está acima de Deus.

Tudo que vivemos faz parte de um grande plano de amor, de uma grande vinha sonhada por Deus. A vinha reclama esse equilíbrio de cuidado, mas, sobretudo, a vinha é o convite a fazer da vida uma uva boa. Os frutos bons não são atitudes isoladas e apenas pessoais, mas dependem do jardim inteiro, de uma conexão de vidas, de uma rede onde é possível reconhecer Deus passeando no vento fresco de cada tarde (Gn 3,8).

Pe. Maicon A. Malacarne