Artigos, Bispos › 08/07/2020

O Semeador, a semente e a terra

Jesus contava frequentemente, por parábolas, histórias sobre os acontecimentos do dia-a-dia, parábolas essas que serviam para ilustrar verdades espirituais. Uma das mais importantes destas parábolas é narrada em Mateus 13,1-23, texto do Evangelho deste Domingo. Esta história fala de um semeador que lançou sementes em vários lugares com diferentes resultados, dependendo do tipo do solo. Consideremos o semeador, a semente e o solo.

O trabalho do semeador é colocar a semente no solo. Se a semente for deixada no celeiro, nunca produzirá colheita, por isso o seu trabalho é importante. Mas a identidade pessoal do semeador não é. Ele simplesmente põe a semente em contato com o solo. A colheita depende da combinação do solo com a semente. Nós, os seguidores de Cristo devemos ensinar a Palavra. Quanto mais ela é plantada nos corações dos homens, maior será a colheita. Mas a identidade pessoal do “semeador” não é o essencial. Na mentalidade de muitos cristãos de hoje, o semeador tornou-se, muitas vezes, a figura principal e a semente é bastante esquecida. Mas a parábola evidencia que mais importante que o pregador e as suas capacidades, é o ato de semear, ou seja, a transmissão da Boa Nova. Não devemos exaltar os homens, mas fixarmo-nos completamente no Senhor. Foi-nos dito muito pouco sobre os homens que divulgaram o Evangelho nos primeiros tempos, porém muito foi transmitido sobre a mensagem que anunciaram. Basta vermos o livro dos Atos dos Apóstolos e rapidamente notaremos que em cada cidade por onde os apóstolos viajaram, ocorriam conversões, como resultado da Palavra que era ensinada. A importância das Escrituras deve ser ressaltada ao máximo.

Aqui há também uma lição para o ouvinte. O fruto produzido depende da resposta à Palavra. É decisivamente importante ler, estudar e meditar a Palavra de Deus. Temos que permitir que as nossas ações, as nossas palavras e as nossas vidas sejam formadas e moldadas pela Palavra de Deus.

Uma colheita depende sempre da natureza da semente, não do tipo da pessoa que a plantou. Um pássaro pode plantar uma castanha: a árvore que nascer será um castanheiro, e não um pássaro. Isto significa que ainda hoje há força e autoridade próprias da Palavra, para produzir cristãos como aqueles do tempo dos Apóstolos. A Palavra de Deus contém força vivificante. Urgem homens e mulheres que permitam que a Palavra cresça e produza frutos nas suas vidas; pessoas com coragem para simplesmente seguir o ensinamento da Palavra de Deus e ensiná-la aos demais. Se também nós permitirmos que a Palavra opere e frutifique, podemos tornar-nos fiéis discípulos de Cristo justamente como aqueles que o seguiram há dois mil anos atrás. A continuidade depende da semente.

É perturbador notar que a mesma semente foi plantada em cada tipo de solo, mas os resultados foram muito diferentes. A mesma Palavra de Deus pode ser plantada nos nossos dias; mas os resultados serão determinados pelo coração daquele que ouve. Alguns são solo de estrada, duro, impermeável. Outros, solo pedregoso, no qual as raízes das plantas nunca se aprofundam. Outros, solo cheio de ervas daninhas que crescem junto com a semente pura e não permitem nenhum fruto. Por fim, há o bom solo que produz fruto. A conclusão desta parábola é deixada para cada um escrever. Que espécie de solo eu sou?

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen