Artigos, Bispos › 20/04/2022

O Tempo Pascal

Continuamos a celebrar a Páscoa e seus efeitos. Nós cristãos, pelo batismo, estamos inseridos no mistério pascal, que tivemos oportunidade de renovar especialmente durante o Tríduo pascal, ponto alto e núcleo central de todo Ano Litúrgico. Estamos agora no Tempo Pascal, período em que desejamos aprofundar os mistérios celebrados. Nos primeiros séculos do cristianismo, havia uma catequese especial para os que haviam recebido o batismo, a crisma e a eucaristia na noite de Páscoa; esta era chamada “catequese mistagógica”, pois introduzia para dentro dos mistérios celebrados pela primeira vez na noite da ressurreição. Hoje, é a liturgia que, com sua rica distribuição da Palavra de Deus, nos ajuda a entrar nos mistérios, mais uma vez celebrados, especialmente pela eucaristia, na vida de nossas comunidades cristãs.

O Tempo Pascal (50 dias de Páscoa) é privilegiado para nosso encontro com Jesus Ressuscitado, fonte da nova vida, pois ele vem ao nosso encontro de diversos modos. Ele revela-se na Liturgia da Palavra, sobretudo pelo Evangelho, nas narrativas do fato da ressurreição e das aparições (primeira semana); o Ressuscitado se apresenta ainda como aquele que faz nascer de novo pelo batismo (segunda semana); manifesta-se como aquele que é o pão vivo, descido do céu, pela eucaristia (terceira semana); e depois é apresentado, nas semanas seguintes, as quais antecedem Pentecostes, como aquele que é o bom pastor, a porta, a luz, o caminho, a verdade, a vida, a videira, o amor. No Evangelho dos Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-36) ele se manifesta no caminhar ao lado dos desiludidos do messianismo triunfalista, que retornam desanimados de Jerusalém; faz arder o coração na explicação das Escrituras, que anunciavam os fatos vividos; revela-se no partir do Pão; se faz boa notícia na boca dos que anunciam aos demais que ele está ressuscitado.

Em nossa celebração da Páscoa também encontramos o Senhor de diversas formas na comunidade: ouvimos sua palavra viva, transformadora e eterna; renovamos nosso batismo, renunciando ao mal e reafirmando nossa fé; partilhamos o pão da eucaristia e da caridade fraterna; e agora queremos anunciar a boa notícia da sua presença viva para todos os que encontrarmos nos caminhos de nossa vida, como nos sugere o Documento de Aparecida: “Não podemos deixar de aproveitar esta hora da graça. Necessitamos de um novo Pentecostes. Necessitamos sair ao encontro das pessoas, das famílias, das comunidades e dos povos para lhes comunicar e compartilhar o dom do encontro com Cristo, que tem preenchido nossas vidas de ‘sentido’, de verdade e de amor, de alegria e de esperança! Não podemos ficar tranquilos em espera passiva em nossos templos, mas é urgente ir em todas as direções para proclamar que o mal e a morte não têm a última palavra, que o amor é mais forte, que fomos libertos e salvos pela vitória pascal do Senhor da história…” (DAp 548).

A vivência deste mistério da Páscoa nos convoca a anunciar a boa-nova da ressurreição de Jesus Cristo, que continua presente no meio de nós. Como os discípulos e as discípulas das primeiras comunidades cristãs, desejamos testemunhar e anunciar a nossa fé, como Igreja em saída, pois agora chegou a nossa vez de sermos missionários do Senhor em todos os ambientes de nossa realidade. Que o Espírito do Senhor e seu santo modo de operar nos acompanhem nesta missão. Desejamos a todos um frutuoso Tempo Pascal!

Dom Aloísio Alberto Dilli – Bispo de Santa Cruz do Sul