Artigos, Bispos › 05/08/2022

Obrigado, Padre!

No dia 4 de agosto, recordamos o “Dia do Padre”. Esse homem que Deus escolheu e preparou para que assumisse uma missão na comunidade. Fico pensando como essa região central do Estado do Rio Grande do Sul precisa agradecer a tantos padres que ajudaram a desenvolver nossos Municípios. Sem correr o risco de esquecer alguém, destaco apenas alguns feitos de sacerdotes que, amando a Igreja e o povo que lhes foram confiados, acabaram promovendo sua região.

Prefiro destacar os frutos dessas árvores que já partiram, mas que deixaram um legado inesquecível: a devoção à Medianeira em Santa Maria, a construção da Catedral, a Gruta de Nossa Senhora de Fátima de Nova Esperança do Sul, as árvores petrificadas de Mata e o Centro Genealógico de Nova Palma são apenas alguns exemplos de um elenco que poderia ser bem maior. Somos gratos a todos esses padres. Igualmente, precisamos recordar os trabalhos pastorais, sociais e culturais de tantos presbíteros que por aqui deixaram marcas indeléveis.

O padre é constituído pastor de um rebanho que não lhe pertence, pois Cristo é o Senhor de todos. Cuidar de um rebanho tão precioso é um privilégio e uma responsabilidade. O padre, embora pastor, permanece sendo discípulo do único Mestre, aprendiz na escola do Evangelho.

O presbítero se configura diariamente a Cristo. Precisa rezar profundamente, para ter um coração de Bom Pastor, pois é fácil ser seduzido pelos desvios do caminho do Mestre. Ele precisará abraçar a cruz a cada dia, pois a Boa Nova do Evangelho sofre resistência diante daqueles que teimam em matar a força vivificante e libertadora da Palavra de Deus. Por presidir a Eucaristia, ele é capaz de esperar o Reino que virá com a certeza de sentir sua antecipação em cada altar. O que implica relativizar toda presunção mundana que tende a absolutizar o provisório.  Por isso, ele pode denunciar criticamente toda miopia da realidade que pretenda colocar o penúltimo no lugar que somente ao último compete.

Como deve ser um padre de nosso tempo? Talvez um manuscrito medieval possa bem traduzir essa expectativa: um padre deve ser, ao mesmo tempo, pequeno e grande, nobre de espírito, como de sangue real e simples e natural como um camponês. Deve ser uma fonte de santificação, porque também se sente um pecador que foi perdoado. Alguém que não se abaixa diante dos soberanos, mas que se curva diante dos pobres e sofredores. Um discípulo do seu Senhor e também o pastor do rebanho que o Senhor lhe confiou. Um mendicante de mãos largamente abertas e um portador de inumeráveis dons. Um homem forte no campo de batalha e um pai que conforta os doentes. Deve ter a sabedoria da idade e a confiança de uma criança. Ainda:  ser firme rumo ao alto e seguro com os pés bem plantados sobre a terra, feito para a alegria do Evangelho e um perito que aprendeu a sofrer por amor. Um homem que fala de Deus para seu povo e fala de seu povo ao seu Deus.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo Metropolitano de Santa Maria