Notícias › 26/11/2021

Observatório de Bioética reflete sobre a Economia de Francisco e Clara

No último dia 16 de novembro, terça-feira, reuniu-se através da plataforma Zoom o Observatório de Bioética da CNBB Regional Sul 3, que contou com a assessoria de Dom Ricardo Hoepers, Bispo do Rio Grande e Eduardo Brasileiro, sociólogo e educador, sobre a Economia de Francisco e Clara. Com vistas a refletir o caminho percorrido e vislumbrar horizontes possíveis em nossas realidades, o encontro contou com a participação dos membros do Observatório, bem como de convidados do Movimento Familiar Cristão.

A reflexão de Eduardo apresentou de forma dinâmica muitos elementos do processo iniciado a partir do chamado do Papa Francisco a realmar as economias do presente e do futuro. Ao mesmo tempo em que o Pontífice afirma que “esta economia mata”, uma crítica à Economia Moderna presente na Laudato Si, Evangelii Gaudium e também na recente Fratelli Tutti, ele também reconhece que milhares de outras economias florescem no chão da vida de cada território. São iniciativas fecundas que nos apontam o valor inegociável da vida em comunidade e devem ser apoiadas, cuidadas e multiplicadas em muitos outros lugares.

Eduardo apresentou, de modo singular, a história da ABEFC, Articulação Brasileira pela Economia de Francisco e Clara, um grupo de articulação nacional nascido em São Paulo, em 2019, como uma resposta ao chamado do Papa Francisco, que tornou-se processo virtual no caminho até Assis. Com a chegada da pandemia e a adaptação do encontro presencial em encontros virtuais diversos, a ABEFC articulou a participação conjunta de muitos dos jovens brasileiros no caminho até Assis, incidindo nas reflexões brasileiras bem como nas produções de algumas Vilas temáticas, que foram os grupos de trabalho do evento oficial.

A articulação está se espalhando e consolidando por todas as regiões do Brasil, inclusive no próprio Rio Grande do Sul que, desde a primeira hora, tem organizado os jovens gaúchos que iriam presencialmente até Assis, unindo outros jovens e adultos interessados em dar respostas à Economia de Francisco. O grupo do Rio Grande do Sul tem participado de trabalhos virtuais em unidade com a ABEFC e, principalmente, se inserido nas realidades locais, nas quais os jovens são chamados a serem atuantes em seus bairros, cidades e territórios.

Apontar caminhos possíveis para integrar avanços alcançados através de estudos acadêmicos, empreendimentos sociais, trabalho pastoral, ação social e muitas outras formas de integrar teoria e prática é um dos objetivos da Economia de Francisco e Clara. A novidade do Magistério de Francisco nos aponta a urgente necessidade de afirmarmos os princípios basilares da Igreja em saída. Os diversos caminhos trilhados por economias comunitárias, fraternas e a serviço da vida, muitas delas fomentadas pela ação social das comunidades cristãs, são exemplos de que a força da vida construída em mutirão é mais forte do que os contra-valores do mercado neoliberal.

A centralidade da Economia de Francisco e Clara está no cuidado com os bens comuns, atitude que congrega muitos pensadores e agentes de pastoral fundamentados no Ensino Social da Igreja, o que faz deste momento histórico um marco singular na história cristã. Pensadores, ativistas e líderes de outras tradições milenares do pensamento, não apenas do Ocidente, mas também do Oriente tem escutado Francisco e, “contemplando o mesmo céu”, se comprometido em caminhar em paz e bem viver sobre a mesma terra.

Animados e fortalecidos pela fé, nascida do amor incondicional de Deus Trindade, relação de amor, acreditamos que é possível começar desde cada comunidade, desde cada família, a viver novos estilos de vida, que cuidem da casa comum, que amem os e cuidem da vida dos irmãos e irmãs, em especial de quem mais sofre com a vulnerabilidade sociombiental e que acreditem que outros mundos são possíveis urgentes e necessários. Este é apenas o começo e o futuro está em nossas mãos. Urge, desde as feridas de nossas realidades, semearmos a civilização do amor na qual acreditamos, para que floresçam economias com a alma de uma nova sociedade.

Contribuição: Andrei Thomaz Oss-Emer