Oração, missão e comunhão!
Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O mês de outubro, Mês Missionário e do Rosário, iniciou com a Semana Nacional da Vida, que neste ano de 2026 traz o tema: “O sentido da vida”; e o lema: “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância” (João 10,10).
Como povo de Deus a caminho e comunidade de fé, precisamos continuamente anunciar e defender a vida, dom precioso concedido por Deus, que muitas vezes o homem não sabe valorizar. Ela precisa ser acolhida, cuidada e valorizada, como um tesouro que temos no presente, mas que, à luz da fé em Cristo Jesus, podemos sonhar e esperar possuir de forma gloriosa na eternidade. Por isso, é importante assumirmos juntos essa nobre missão de trabalhar para criar uma consciência coletiva que promova e valorize a vida em toda a sua realidade.
Como sociedade e comunidade de fé, não podemos ceder ao pragmatismo de defender que a vida só merece ser protegida quando a pessoa pode contribuir economicamente com a sociedade. Essa cultura do descarte não é de Deus, o autor da vida, e tantos males já tem causado à sociedade, no passado e no presente. O cristão deve estar comprometido com os valores da vida, empenhando-se para que os mesmos sejam respeitados e protegidos, na família e na sociedade. Quando abandonamos a defesa da vida, pactuamos de forma silenciosa com a cultura da morte, que ceifa de forma violenta, perversa e maligna, a vida das nossas crianças, dos nossos jovens, dos adultos e idosos indefesos, e fere no coração a vida das nossas famílias e o projeto de amor do Pai.
A Carta Encíclica Lumen Fidei, do Papa Francisco, diz que: “A fé desvenda-nos o caminho e acompanha os nossos passos na história. Por isso, se quisermos compreender o que é a fé, temos de explanar o seu percurso, o caminho dos homens crentes”, como o fez Abraão, nosso pai na fé, e outros patriarcas do Antigo Testamento. E o caminho do cristão não pode ser percorrido no vazio ou com indiferença em relação à vida, dom de Deus. Quem ama cuida, protege e se esforça para que o outro encontre sentido no seu viver a vida, como dom de amor.
A fé não pode prescindir do amor de Deus. A fé identifica, no amor de Deus manifestado em Jesus, o fundamento sobre o qual assenta a realidade e o seu destino último. Mas a fé também precisa ser alimentada pela oração, para comprometer-se com a missão de anunciar o Evangelho, pelo testemunho de vida e por palavras. Na fé, Cristo não é apenas aquele que acreditamos ser a maior manifestação do amor de Deus, mas é também aquele a quem nos unimos para poder acreditar. A fé não só olha para Jesus, mas olha também o “outro”, a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver.
A fé em Cristo salva-nos, porque é nele que a vida se abre radicalmente a um Amor, que nos precede e transforma, a partir de dentro, que age em nós e conosco. A fé sabe que Deus se tornou muito mais próximo de nós, que Cristo nos foi oferecido como grande dom, que nos transforma interiormente, que habita em nós, e assim nos dá a luz que ilumina a origem e o fim da vida, o arco inteiro do percurso humano.
+ Dom José Gislon, OFMCap.
Bispo Diocesano de Caxias do Sul