Artigos, ATUALIDADES › 18/06/2020

Ordenação episcopal e sucessão apostólica

Este dia 20 de junho ficará com um registro especial na história da Diocese de Erexim, que em primeiro de agosto entrará no ano do seu cinquentenário, a ordenação episcopal de seu quarto Bispo, Dom Adimir Antonio Mazali, na Catedral de Cascavel, PR, Arquidiocese à qual pertence.

A nomeação de um Bispo pelo Papa se dá a partir de um processo de consultas pela Nunciatura Apostólica – Embaixada do Estado do Vaticano, representação do Papa e de seus colaboradores, integrantes da Cúria Romana, num país. Periodicamente, segundo o cânon 377 do Código de Direito Canônico, os bispos de uma província eclesiástica – grupo de dioceses próximas – devem apresentar a ela nomes de padres possíveis candidatos ao episcopado, “dignos e idôneos”. A indicação pode ser feita também através da Conferência dos Bispos. E cada bispo pode fazê-lo diretamente à Santa Sé.  A Nunciatura também solicita aos Bispos de uma província eclesiástica indicação de nomes quando deve fazer o processo de nomeação para uma das suas dioceses. Ela recolhe informações a respeito de cada indicado, com questionário detalhado sobre qualidades, formação, atividades, saúde, idade, tempo de ordenação e outros aspectos, em carta endereçada a pessoas que podem opinar a seu respeito. Pode também solicitar a sugestão de outras pessoas em condições de dar seu parecer a respeito do candidato. Quem recebe tal pedido é alertado de que se trata de algo sigiloso, sob pena de sanção eclesiástica.

Se as informações a respeito do padre indicado forem favoráveis, conforme a necessidade, ele poderá ser incluído numa lista tríplice que o Núncio envia ao Presidente da Congregação para os Bispos, Organismo de assessoria ao Papa. A partir dessa lista, o Papa faz a nomeação. O nome do escolhido é enviado à Nunciatura que informará o próprio, pedindo-lhe se aceita. Se por justas razões não aceitar, o Núncio verá como dar andamento ao processo.

Disso resulta que ninguém se torna bispo por conta própria, nem chega ao episcopado passando por diversos postos como numa carreira profissional. Ele é escolhido pela Igreja na pessoa do Papa para um serviço a ela na evangelização, no culto divino e na caridade fraterna.

Muito além desses detalhes, outros três parecem mais importantes.

O primeiro é a natureza e a missão do Bispo. O Concílio Vaticano II, especialmente na Constituição sobre a Igreja, Luz dos povos, e no Decreto “Christus Dominus”, sobre o ministério pastoral dos Bispos na Igreja, bem como o Documento de Puebla e outros retomam o princípio de que o Bispo é sucessor dos apóstolos para presidir na caridade, como mestre da verdade e sacerdote do culto, uma porção do rebanho de Cristo. Como tal, o bispo garante a legítima sucessão apostólica, como também a comunhão com os outros bispos, que formam o colégio episcopal, presidido pelo Papa. Seu ministério é serviço a todo o povo de Deus. Sem esta sucessão, não há legitimidade episcopal.

O segundo aspecto é viver a oportunidade como especial momento de aprofundamento da identidade diocesana, da corresponsabilidade eclesial, da consciência da pertença à Igreja que formamos nesta região, no contexto do ano do cinquentenário diocesano a ser iniciado brevemente. É ocasião de louvarmos a Deus pelo crescimento de nossa Diocese sob o pastoreio de Dom João, Dom Girônimo e Dom José, bem como de buscarmos a luz do seu Espírito para encontrar respostas aos desafios que a realidade da região nos apresenta.

O terceiro aspecto é a disposição de todos para uma acolhida humana, filial-fraterna, eclesial ao nosso novo Bispo.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim