Artigos, Bispos › 14/01/2022

Pacto Educativo Global

No dia 15 de outubro de 2020, o Papa Francisco reforçou o seu empenho com um Pacto Educativo global. O Papa destacou que a pandemia do Covid 19 manifestou a crise sobre nossa forma de compreender a realidade e de nos relacionarmos entre nós e afetou diretamente o mundo da educação.

Desde o início da pandemia, aliás, tem se observado o quanto o mundo da educação apresenta tanto estruturas frágeis, quanto abnegação dos educadores. Estes, de forma geral, nunca deixaram de buscar novas formas de contato com seus estudantes para garantir a continuidade do processo educativo. O mundo da educação vem sendo, há tempos, um campo de oportunismos e descasos, com propostassimplistas para problemas complexos.

Para o Papa Francisco, a educação é um dos caminhos mais eficazes para humanizar o mundo e a história. Ela apresenta-se como o antídoto natural à cultura individualista, que às vezes degenera num verdadeiro culto do “ego” e no primado da indiferença.  O Papa destaca as preocupações com as questões de pobreza, as crises existenciais e a questão da sustentabilidade da vida no planeta como razões para propor uma nova educação.

Ao trabalhar nessa perspectiva, o Papa amplia enormemente a compreensão comumente guardada a respeito da educação. Muito mais do que uma sistemática de ensino e aprendizagem a respeito de algum assunto, a educação é o processo através do qual a humanidade emergiu na Terra.  É através dela que cada ser humano se apropria da cultura, da memória e, portanto, da própria identidade. A educação ultrapassa e transcende escolas, universidades e quaisquer sistemas de ensino ou avaliação, ainda que se concretize principalmente nesses lugares e processos.

É preciso superar propostas educativas focadas na utilidade, no resultado, na funcionalidade e na burocracia, que confundem educação com instrução e acabam por fragmentar as culturas. É urgente trabalhar por uma cultura integral, participativa e poliédrica. Também é necessário problematizar algumas visões a respeito de educação cultivadas em nosso meio. A imagem romantizada e idealizada dos educadores, em vários discursos, raramente leva em conta toda a formação necessária para se exercer a profissão. Junto a isso ainda persiste a ideia de que educação é algo que se realiza com simples “transmissão” de conhecimentos, quando se sabe que aprendizagem é algo que se dá na experiência concreta, devidamente mediada por quem tem formação para tanto.

O Papa também diz que não devemos esperar tudo daqueles que governam, pois há espaços de corresponsabilidade capazes de iniciar e gerar novos processos e transformações. Isso depende de cada pessoa e das comunidades locais. Urge que  toda sociedade seja pedagógica em suas relações e educadora em suas finalidades.

Dom Leomar Antônio Brustolin – Arcebispo de Santa Maria