Notícias › 30/11/2021

Participantes do Rio Grande do Sul avaliam Assembleia do CELAM

De 21 a 28 de novembro a Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe reuniu mais de 1000 participantes de forma remota, iluminada pelo tema ‘Somos Todos Discípulos Missionários em Saída’

Nossa Senhora de Guadalupe acolheu sob seu manto, desde o dia 21 de novembro, a Igreja da América Latina e do Caribe reunida em Assembleia Eclesial. O encontro contou com 100 participantes presencialmente no Santuário na Cidade do México e outros 1000 se integraram a este grupo de forma remota.

Do Brasil estavam 314 participantes e, entre eles, quatro do Regional Sul 3 da CNBB: Dom Rodolfo Weber, Dom Leomar Brustolin, Dom Adilson Busin e Edoarda Scherer.

A jovem, da Paróquia Santo Antônio de Estrela, na Diocese de Montenegro, participou como delegada do Brasil do GREDIRE (Grupo de Reflexão para Diálogo Ecumênico e Diálogo Inter-Religioso), da CNBB. Segundo Edoarda, o processo da Assembleia propôs um convite para repensar aspectos fundamentais dos caminhos da Igreja, pautada no tempo e na história da realidade atual.

Um processo de escuta e diálogo que se fez entre clero e leigos que conjuntamente debateram, refletiram e celebraram sobre os grandes desafios que implicam no exercício prático da Sinodalidade e da Missão. Foi uma experiência única sentir-se acolhida em uma dinâmica virtual, contudo; não menos intensa. Conhecer rostos, histórias de realidades da Latino América é muito bonito e gratificante. Somos diversos, porém, com anseios comuns: o bem viver e a dignidade para todos. De fato, não estamos sozinhos. Sonhos de esperança e fé ainda são compartilhados e permanecem no coração de muitos e muitas e isso dá inspiração e ânimo para seguir, mesmo em tempos tão desafiadores, aponta Edoarda.

Para Adilson Pedro Busin, cs, secretário da presidência no Regional Sul 3 da CNBB e bispo auxiliar de Porto Alegre, um dos grandes pontos positivos da Assembleia foi o fato de falar de uma Igreja menos clerical.

Isso aconteceu tanto presencialmente, quanto também no virtual. Uma grande participação de leigos, leigas, pais, mães e jovens, com um belo testemunho que nos convida a uma Igreja de mais comunhão e participação na missão na centralidade de Jesus Cristo, completa Dom Adilson.

Desafios Pastorais da Igreja da América Latina e do Caribe

A Assembleia Eclesial apresentou no sábado, penúltimo dia, os desafios pastorais refletidos durante os sete dias de trabalho. Estes pontos foram construídos pelo conjunto dos delegados participantes, através de apresentações e diálogos em grupo. Segundo Edoarda, estes pontos convidam ao maior protagonismo dos jovens e das mulheres, repensando e superando as estruturas clericais autoritárias e se colocando a serviço para estar junto com os injustiçados.

Todos os desafios comprometem a Igreja a estar em diálogo com a sociedade. No campo do diálogo Ecumênico e Inter-religioso, isso se desdobra em inúmeras possibilidades de trabalho pela Casa Comum, com o respeito à diversidade de pensamentos, culturas e convicções, analisa ela.

Para Dom Adilson, alguns pontos discutidos são essenciais para a Igreja na América Latina e Caribe:

A Assembleia apontou a necessidade de um olhar atento às juventudes e à família, como lugar da missão da Igreja. Olhando para dentro da Igreja, sem dúvida um destaque muito importante foi a superação do clericalismo e uma maior participação da mulher nos espaços de decisões. É preciso, também, sanar a ferida dos abusos, enfrentando e superando e acompanhando. Por fim, outro tema forte na discussão da assembleia foi a superação das violências, especialmente contra as mulheres, os jovens e o tráfico humano. Queremos e precisamos de uma Igreja que olhe para os latino-americanos migrantes, conclui o bispo.

Confira a seguir os 12 desafios finais apontados pela Assembleia:

  1. Reconhecer e valorizar o papel dos jovens na comunidade eclesial e
    na sociedade como agentes de transformação.
    2. Acompanhar as vítimas de injustiças sociais e eclesiais com processos de reconhecimento e reparação.
    3. Promover a participação ativa das mulheres em ministérios, órgãos governamentais,
    discernimento e tomada de decisões eclesiais.
    4. Promover e defender a dignidade da vida e da pessoa humana desde a sua concepção até o seu fim natural.
    5. Aumentar a formação da sinodalidade para erradicar o clericalismo.
    6. Promover a participação dos leigos em espaços de transformação cultural, política, social e eclesial.
    7. Ouvir o grito dos pobres, excluídos e descartados.
    8. Reformar os itinerários formativos dos seminários, incluindo temas como ecologia integral,
    povos nativos, inculturação e interculturalidade e pensamento social da Igreja.
    9. Renovar, à luz da Palavra de Deus e do Vaticano II, nosso conceito e experiência da Igreja do Povo de DEUS, em comunhão com a riqueza de sua ministerialidade,
    que evita o clericalismo e favorece a conversão pastoral.
    10. Reafirmar e dar prioridade a uma ecologia integral em nossas comunidades
    a partir dos quatro sonhos da Querida Amazônia.
    11. Promover um encontro pessoal com Jesus Cristo encarnado na realidade do continente.
    12. Acompanhar os povos nativos e afrodescendentes na defesa da vida, da terra e das culturas.

Mensagem Final

Já no último dia de Assembleia, domingo, foi apresentada a Mensagem Final do encontro, que destacou especialmente a importância da sinodalidade.

O documento afirma que esta Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe foi vivida como “uma verdadeira experiência de sinodalidade, em escuta mútua e discernimento comunitário do que o Espírito quer dizer a sua Igreja”. Da “diversidade multifacetada”, os participantes da Assembleia “voltaram-se para as realidades do continente, em suas dores e esperanças”.

A mensagem mostra o caminho sinodal como “um espaço significativo de encontro e abertura para a transformação das estruturas eclesiais e sociais que permitem um renovado impulso missionário e uma proximidade com os mais pobres e excluídos”. A vida religiosa, “mulheres e homens que, vivendo contra a maré, dão testemunho da boa nova do Evangelho”, e a piedade popular são também um motivo de esperança.

Confira o Documento completo: Mensagem Final da Assembleia Eclesial

CNBB Sul 3