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Pastoral Nacional da Criança promove encontro com comunicadores católicos

Nos dias 15 e 16 de agosto ­­mais de 30 comunicadores católicos de diversas regiões do Brasil reuniram-se em Curitiba (PR), a convite da Pastoral Nacional da Criança, para conhecer o trabalho realizado por esse organismo social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Durante os dois dias foram realizadas dinâmicas com o objetivo de ouvir as suas expectativas em relação ao encontro, assim como a realidade local de cada participante, entre outros. Além dos debates e reflexões, houve visitação aos espaços da sede como o Museu da Vidaopção de lazer e conhecimento, que funciona diariamente, das 8h às 19h, onde também está instalado o Memorial Dr. Zilda Arns.

O Dr. Halim Givade – especialista em saúde pública e funcionário da ONU por 18 anos pela Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), onde coordenou o programa de saúde e desenvolvimento infantil no País – palestrou sobre a importância dos 1000 dias e da primeira infância. Entre os inúmeros dados apontados pelo médico estão: os desafios atuais com a obesidade infantil, o retorno da mortalidade infantil e materna e a importância da interação pais e filhos para o desenvolvimento da criança desde a sua gestação, por meio de estímulos externos como o visual, o sonoro etc. “Querem uma sociedade melhor? Então trabalhem a primeira infância. O País que não investe neste sentido está fadado ao insucesso”, destacou Dr. Halim. Veja mais alguns dados:

– Aumento da mortalidade materna de 62 para 64,4 por 100 mil
nascidos vivos de 2015 para 2016.
– Diminuição da cobertura vacinal ideal: 95% de cobertura, 90%
aceitável. Está entre 70 e 83%. Menos BCG que é dada nos hospitais ao nascer
que de mais de 90%.
– Aumento nos casos de sífilis: aumento de 27,9% em 2016 em
relação ao ano anterior. Em gestantes 14,7% e congênita 4,7%.
– Aumento da mortalidade infantil de 13,3 por mil nascidos
vivos para 14 por mil nascidos vivos de 2015 para 2016.

Em seguida, Dr. Nelson Arns Neumann, Coordenador Internacional da Pastoral Nacional da Criança, abordou a importância da liderança versus a autoridade no trabalho do agente da pastoral. “Da escassez de investimento nós já sabemos. Mas é importante nós entendermos que não é só um papel do Estado. Nós, como sociedade, como cristãos, devemos agir praticando a misericórdia como ensina o Evangelho”, refletiu Dr. Arns.

Como o evento foi para os comunicadores, também participaram como palestrantes o Dr. Eric Oliveira e a Dra. Elizabeth Tunes, da UNB, que abordaram as Mídias Sociais do ponto de vista do usuário. Padre Rafael Vieira, assessor de Imprensa da CNBB, debateu com os comunicadores formas para promover a integração entre os profissionais e não profissionais da Comunicação nos regionais, nas dioceses e nos organismos da conferência. Na sua explanação foi apresentado um painel com algumas ações: participação na pesquisa e estudo sobre o documento “Orientações para as Mídias Católicas”; participação no XI Mutirão Brasileiro de Comunicação, em julho de 2019, em Goiânia (GO); colaboração na produção editorial na revista “Bote Fé”, das Edições CNBB e a cobertura jornalística da próxima Assembléia Geral, em Aparecida (SP).

Ao final do encontro, no início da tarde do dia 16, os comunicadores puderam prestigiar a inauguração da exposição “Saneamento: o básico que salva vidas” e da “Rua do Brincar”. Na primeira, que segue até o dia 16 de dezembro, o visitante pode conhecer mais sobre saneamento básico realizando o tour com realidade aumentada utilizando o celular ou o tablet e participar do abaixo-assinado, instalado em uma das paredes da sala, para apoiar a causa.

Dra. Zilda Arns

Um dos momentos mais inspiradores do encontro foi a visita ao Memorial Dra. Zilda Arns, que integra o Museu da Vida. O espaço conta, por meio de peças pessoais, reportagens, material audiovisual, a vida da médica pediatra e
sanitarista, desde sua infância. Em especial a sua trajetória a frente da pastoral. Dra. Zilda foi indicada três vezes ao Prêmio Nobel da Paz e tem encaminhado ao Vaticano pedido de beatificação, além de possuir vários títulos e premiações pela sua atuação em prol da vida. A médica faleceu em 2010, durante missão humanitária ao Haiti, após um terremoto que devastou o País.

A Pastoral Nacional da Criança foi fundada em 1983, após uma proposta da Unicef ao arcebispo de São Paulo, Dom Paulo Evaristo Arns, também já falecido e irmão de Zilda, para combater a mortalidade infantil no País, por meio da atuação da médica e do arcebispo da Diocese de Londrina, na época, Dom Geraldo Majella Agnelo. Após um ano de trabalho e de excelentes resultados, o então projeto-piloto, realizado no Paraná, foi apresentado à CNBB que acolheu a proposta. Hoje a pastoral está implantada em quase todas as 268 dioceses brasileiras e em outros países.

Aplicativo Visita Domiciliar

Baseado nas perguntas do Caderno do Líder (formulário utilizado pelos agentes), o aplicativo Visita Domiciliar foi criado para auxiliar o líder durante a visita realizada às gestantes e crianças acompanhadas e pode ser usado em celulares (com exceção do sistema IOS) e tablets. O app Visita Domiciliar permite cadastrar cada criança ou gestante acompanhada e apresenta orientações do Guia do Líder específicas para a faixa etária ou semana de gestação. Por meio de suas atualizações, ajuda o líder a acompanhar as principais mudanças e levar as mais novas informações para as famílias.

Ao usar o aplicativo, a líder não precisa mais preencher o Caderno do Líder impresso – o que ajuda a economizar papel e combustível do transporte deste material da Coordenação Nacional até as comunidades, além de preservar o meio ambiente. Baixe o aplicativo aqui. O sistema é multilíngua e produz avisos de alerta aos líderes em casos de carências nas comunidades, possui chat, informações sobre capacitação e, no Brasil, já são mais de 130 mil crianças acompanhadas via aplicativo. Recentemente, o software recebeu o prêmio Dom Luciano Mendes de Almeida, na edição dos Prêmios de Comunicação da CNBB.

Os 1000 dias

O conceito de 1000 dias trabalhado pela Pastoral Nacional da Criança é a soma dos 270 dias de gestação, mais os 365 dias do primeiro e segundo ano de vida. Na Inglaterra, em 1989, o médico e pesquisador David Barker lançou a hipótese de que muitas doenças que apareciam na vida adulta eram decorrentes de problemas ocorridos na gestação, principalmente o que ele chamou de desnutrição no útero. Essa desnutrição leva ao nascimento de bebês com baixo peso, os quais apresentam maior risco de doenças crônicas quando adultos.

A pastoral age, ativamente, disseminando informações científicas de maneiras simples sobre os primeiros 1000 dias de vida. Equipes de coordenadores e líderes comunitários dão orientações às famílias, fazendo acompanhamento das crianças por meio de visitas às suas casas. São quatro ações básicas:

– os líderes comunitários orientam as famílias;
– distribuem os materiais educativos;
– realizam o acompanhamento nutricional;
– a participação e influência nas políticas públicas do País.

A pastoral no RS

No Estado, a pastoral gaúcha atende cerca de 30 mil crianças, de 0 a 6 anos, em 20 dioceses, 292 paróquias, 1.210 comunidades, além de mais de 25 mil famílias, 1.664 gestantes, por meio de 2.908 líderes. No total são 5.343 voluntários atuando na promoção da vida. A ação tem ênfase nos cuidados nos 1000 dias da criança desde a gestação, a expansão do acompanhamento nutricional entre outros. “Temos o compromisso de estar sempre nos capacitando para dar retorno aos líderes, implantando a pastoral onde não há, com apoio aos bispos e padres do Sul 3. Sempre em rede, com o desenvolvimento integral das crianças”, destaca a coordenadora estadual Marli Ludwig. Para mais informações sobre como levar a pastoral gaúcha até a sua diocese o contato é o número (55) 9-9980-9431 (telefone e Whatsapp).

Aqui é possível baixar o Guia do Líder da Pastoral da Criança para já iniciar os primeiros passos nesta missão.

“Quando as crianças são acolhidas, amadas e protegidas, a família é sadia, a sociedade melhora, o mundo é mais humano”.
Papa Francisco