Presbíteros: homens de Deus para servir o seu Povo

A celebração do Dia do Presbítero, tradicionalmente associada à memória de São João Maria Vianney, convida-nos a contemplar a beleza e a grandeza do ministério sacerdotal. Mais do que uma função ou um serviço entre outros, o sacerdócio é uma vocação que configura o homem a Cristo, Bom Pastor, para que sua existência se torne oferta a Deus e serviço generoso ao seu povo.

Entre os Padres da Igreja, poucos refletiram com tanta profundidade sobre o sacerdócio quanto São João Crisóstomo. Em sua célebre obra Sobre o Sacerdócio, ele afirma que o ministério sacerdotal é exercido na terra, mas pertence à ordem das realidades celestes. Não porque o sacerdote esteja acima dos demais cristãos, mas porque recebeu a graça e a responsabilidade de servir aos mistérios de Deus em favor de seus irmãos e irmãs.

São João Crisóstomo não idealiza o sacerdote. Ao contrário, conhece suas fragilidades, seus limites e as exigências próprias de sua missão. Contudo, recorda que Deus confia aos presbíteros uma tarefa extraordinária: anunciar a Palavra, celebrar os sacramentos, reconciliar os pecadores e conduzir o povo de Deus. Para ele, o sacerdote é aquele que se coloca entre Deus e a humanidade, levando ao Senhor as alegrias e sofrimentos do povo e trazendo ao povo a misericórdia divina.

Essa missão encontra sua fonte no próprio Cristo. O Evangelho apresenta Jesus como o Bom Pastor que conhece suas ovelhas e dá a vida por elas (cf. Jo 10,11). O presbítero é chamado a participar desse amor pastoral, fazendo de sua vida uma presença que cuida, reúne e conduz. Seu ministério não se mede pelo poder que exerce, mas pela capacidade de servir, acolher, escutar e acompanhar.

São João Crisóstomo insistia que a principal força do sacerdote não está em suas habilidades humanas, mas na santidade de sua vida. O povo espera do presbítero competência, dedicação e proximidade, mas espera sobretudo encontrar nele um homem de Deus, moldado pela oração e configurado ao coração de Cristo. A credibilidade do ministério nasce quando as palavras anunciadas encontram correspondência na vida daquele que as proclama.

Num mundo frequentemente marcado pelo individualismo e pelo fechamento em si mesmo, o sacerdote continua sendo sinal de uma presença que não vive para si. Seu tempo, sua oração, sua inteligência e suas energias são colocados a serviço do Evangelho. Como Cristo, ele é chamado a partir o pão da Palavra, o pão da Eucaristia e o pão da caridade, para alimentar e fé e sustentar a esperança do povo.

No Dia do Presbítero, a Igreja agradece a Deus por tantos sacerdotes que, muitas vezes de modo silencioso e escondido, dedicam a vida ao cuidado das comunidades, visitam os enfermos, consolam os aflitos, anunciam a Palavra e celebram os santos mistérios. Em meio às alegrias e às provações do ministério, eles testemunham que Deus não abandona o seu povo, mas continua caminhando com ele.

São João Crisóstomo escreveu que “a alma do sacerdote deve brilhar como uma luz que ilumina o mundo inteiro”. Que essa luz continue resplandecendo na vida de nossos presbíteros, sustentados pela graça de Deus, pela oração dos fiéis e pela alegria de servir a Cristo e à sua Igreja. Nossa gratidão ao Senhor, que continua chamando homens para serem pastores segundo o coração de Cristo e servidores da esperança no meio de seu povo. Que nossas comunidades saibam acolhê-los, acompanhá-los e sustentá-los com a oração.

 

+ Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria e presidente do Regional Sul 3 da CNBB