Artigos, Bispos › 11/11/2021

Que futuro teremos?

Entre tantas coisas que a vida nos ensina, uma delas é a de que somos todos peregrinos neste mundo. Nossa morada definitiva não está aqui, nesta terra. Deus não nos criou para nos estabelecermos definitivamente por aqui.

Todos trilhamos um caminho que tem começo, meio e fim. Mas em todos nós existe como que uma atração para a eternidade, para o definitivo, o Absoluto. Somos, na verdade, atraídos pelo desejo do céu.

Tal situação, à luz da fé, longe de nos descomprometer com a vida, deve levar-nos a uma atitude de maior envolvimento com as realidades que, de certa forma, decidirão o nosso futuro eterno, ao qual somos chamados. Erra quem compreende a fé como inimiga do mundo, entristecedora da vida, bloqueadora do progresso.

A autêntica religião jamais levará o ser humano à evasão, ao descomprometimento com os deveres próprios, à covardia diante das realidades que exigem atitudes corajosas. A promessa do paraíso celeste jamais será razão para a omissão na construção de um mundo terreno melhor. Na verdade, para o cristianismo, o céu começa nesta terra, no sentido de que, é durante a vida neste mundo que ganhamos méritos para atingir a salvação eterna.

Portanto, mais do que ninguém, o cristão é aquele que voluntariamente se engaja no sublime empreendimento de colaborar com Deus e com os demais irmãos na edificação de um mundo mais autenticamente humano e cristão.

Contudo, a dimensão da eternidade jamais pode ser perdida ou esquecida.

No final do ano litúrgico, a Igreja, como Mãe que de verdade é, chama a nossa atenção para esta dimensão sobrenatural de nossa vida, para que jamais percamos o rumo de nossa existência, enganando-nos com a falsa ideia de que nos eternizaremos nesta terra.

A 1a Leitura deste Domingo é um breve trecho tirado do Livro de Daniel (Daniel 12,1-3). O texto bíblico nos ensina sobre o destino humano depois desta vida: os justos irão para a autentica e plena vida em Deus e os ímpios para a condenação eterna.

O Salmo Responsorial (Salmo 15) é um canto de confiança em Deus, que será sempre nesta vida o refúgio e na vida eterna o nosso repouso definitivo.

A 2a Leitura nos apresenta um trecho da Carta aos Hebreus (Hebreus 10,11-14.18), mostrando-nos que o sacrifício de Cristo na cruz não pode ser repetido. Os frutos desta entrega que o Senhor para nós obteve de uma vez por todas é a expiação de nossos pecados e a salvação eterna. A vitória de Cristo sobre o pecado e a morte é definitiva e suficiente para obter a vida eterna para toda a humanidade. Cabe-nos aproximarmo-nos de Cristo e permitir que Sua Graça nos transforme em novas criaturas, redimidas pelo seu Sangue.

Cada Eucaristia que celebramos faz com que a salvação de Deus nos seja comunicada. Nossa atitude frente a este amor do Senhor por nós será sempre a de gratidão e de buscar corresponder com toda a nossa vida aos benefícios que Ele nos oferece.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen