Regional Sul 3 da CNBB reúne comunicadores para media training sobre gestão de crise
O Regional Sul 3 da CNBB realizou, na noite da terça-feira, 24 de março, um momento de formação para comunicadores das arqui/dioceses gaúchas. A atividade, que aconteceu de forma remota, teve a participação de mais de 60 pessoas de diversas partes do Rio Grande do Sul e de outros estados do Brasil, dentre diversos padres, seminaristas, assessores de comunicação e agentes da Pastoral da Comunicação (Pascom).
O bispo da Diocese de Bagé e vice-presidente do Regional Sul 3, dom Cleonir Dalbosco, fez a saudação em nome da presidência. “Este é um momento importante e histórico para a missão da Igreja no Rio Grande do Sul. A comunicação é fundamental para a evangelização e para a mediação de conflitos, por isso somos chamados a ser construtores de uma comunicação sadia, verdadeira e que crie unidade”.
Proposto pela assessoria de comunicação do Regional Sul 3, o momento de formação contou com a colaboração do padre Arnaldo Rodrigues, que responde pela Assessoria de Comunicação da CNBB. Ele abordou a temática “Media training: a comunicação institucional e a gestão de crise”. Segundo ele, a comunicação da Igreja deve ir além da mera notícia. “Comunicar é a expressão de uma identidade e da verdade. Deve gerar relacionamento e expressar caridade. No ambiente institucional, a clareza e o testemunho são as chaves para a credibilidade”.
O encontro abordou de forma clara como a Igreja deve se organizar em relação à comunicação institucional. Padre Arnaldo salientou que bispos, padres e diáconos, por serem figuras públicas, são vistos como a voz oficial da instituição. Além disso, o palestrante alertou para a necessidade de traduzir o “eclesiologês” — termos técnicos da teologia e do direito canônico — para uma linguagem simples e empática, garantindo que a mensagem chegue a todos sem perder a profundidade.
Em um cenário onde a velocidade digital muitas vezes supera a apuração dos fatos, a gestão de crise na comunicação eclesial também foi abordada com muita seriedade. Para a Igreja, uma crise é definida como qualquer evento que ameace a reputação e a confiança depositada na instituição. Por isso, padre Arnaldo apontou alguns pilares que ajudam a ter uma melhor organização interna.
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Criação de um comitê de crise: composto pelo bispo e especialistas em direito civil, direito canônico e de comunicação.
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Transparência progressiva: falar a verdade sempre, sem necessariamente expor todos os detalhes de uma vez em casos sob sigilo.
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Humanidade e solidariedade: priorizar o atendimento e a empatia com as vítimas em casos de escândalos ou abusos.
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Ação rápida: O silêncio prolongado no ambiente digital pode ser interpretado como omissão ou culpa.
Padre Arnaldo ressaltou que, em casos criminais, a Igreja não é autoridade investigativa; sua função é colaborar imediatamente com as autoridades policiais e garantir que o devido processo legal seja seguido. O assessor listou ações a serem evitadas durante pronunciamentos de crise, como negar a situação sem apuração, demorar a responder, contradizer versões ou falar de maneira emocional. Segundo ele, a verdade precisa ser comunicada com caridade, e a comunicação é um ato de caridade que deve ser feito de forma propositiva, ou seja, mostrando praticamente tudo o que se faz.
Logo depois, padre Arnaldo concluiu a explanação e abriu espaço para perguntas. Ele respondeu questionamentos sobre a figura do agente da Pastoral da Comunicação e o responsável institucional pela Assessoria de Comunicação da Diocese; situações polêmicas envolvendo a Campanha da Fraternidade e, novamente, o que não fazer diante de situações de crise envolvendo a Igreja também ganharam espaço no bloco de dúvidas.
O encontro foi concluído com a bênção do assessor, padre Arnaldo Rodrigues. A assessoria de comunicação do Regional Sul 3 planeja, ao menos, mais dois momentos formativos para o ano de 2026 com a temática institucional da Igreja e sua relação com a imprensa secular.
Assista a formação completa aqui
