Artigos, Bispos › 28/07/2022

Saber usar os bens materiais

A 1ª Leitura de hoje é tirada do Livro do Eclesiastes (Eclesiastes 1,2;2,21-23). O tema geral deste livro do Antigo Testamento é a vaidade das coisas mundanas – entendida como falta de profundidade na vida, falta de valores consistentes. Pode parecer um livro cheio de pessimismo, mas não é. O autor inspirado simplesmente busca demonstrar a loucura de um projeto humano sem futuro, a insensatez dos olhos estreitos com a preocupação excessiva com os bens materiais, especialmente as riquezas e os prazeres. Sem Deus, ninguém pode ser feliz.

Este tema é especialmente importante hoje. Na verdade, muitas pessoas estão mais preocupadas em possuir do que em ser. Muitas vezes, o dinheiro – o poder econômico – está inteiramente a serviço do prazer. Muitos cristãos se deixam escravizar pela falsa adoração a falsos deuses: a preguiça, o sexo e a boa comida, como valores exclusivos. Muito cedo, eles experimentaram em primeira mão a verdade que Eclesiastes adverte: vaidade, tudo é vaidade!

O que resta de tudo isso? Que resultado é produzido na vida de quem tem esses princípios como determinantes? Por exemplo, casais que renunciam brutalmente a serem geradores de vida são condenados à solidão egoísta. Perguntaram, sem obter resposta: “Qual é o sentido de nossas vidas? Para que trabalhamos?”. Nesse ambiente insalubre, as poucas crianças geradas crescem cuidando egoisticamente de si mesmas e esquecendo dos pais. A alegria acaba. O dinheiro, se não servir ao amor e a uma causa nobre, pode ser fonte de ansiedade e decepção. É como uma pessoa, à beira de um precipício, tentando agarrar algo que não oferece estabilidade.

Jesus, no Evangelho de hoje (Lucas 12:13-21) nos adverte contra o amor desenfreado ao dinheiro. Pode nos levar à tentação de reduzir nossa missão na Terra à visão plana deste mundo.

A Igreja prega a justiça e a caridade e forma a consciência: prepara os leigos responsáveis para empreender a construção da Cidade terrena. Por isso, os leigos se responsabilizam, nas realidades do mundo, para encontrar soluções para os graves problemas humanos. Contudo, os cristãos leigos precisam ter em mente que quando esses objetivos são alcançados, suas ambições ainda não são plenamente realizadas. Mesmo com todos os problemas sociais resolvidos, a humanidade precisaria continuar no caminho da Redenção completa.

Ser rico aos olhos de Deus é buscar viver conforme o plano de Deus, usar a riqueza para abrir uma conta bancária no céu, livrar-se do apego da riqueza para ajudar os outros e ajudar a obra de Deus.
Na segunda Leitura (Colossenses 3:1-5, 9-11) São Paulo nos convida precisamente a fazer isso: desejar as coisas mencionadas acima.

É assim que Nossa Senhora cumpre a sua missão no mundo, ensinando-nos a usar os bens humanos que lhe foram confiados para servir, por amor a Deus, cuidar da família, ajudar os necessitados e dar generosa atenção às exigências da vontade de Deus.

Que ela nos ajude a renovar nossas vidas de acordo com essas verdades.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen