Artigos, Bispos › 07/10/2019

Sínodo dos Bispos, caminhada eclesial conjunta

Estimados Diocesanos

De 1962 a 1965, a Igreja Católica realizou o Concílio Ecumênico Vaticano II. Ele teve como ideias força a renovação, a adaptação, a descentralização, o serviço e a comunhão. Muitos encaminhamentos vão ainda concretizando este ideal conciliar.

No início da quarta sessão do Concílio, Paulo VI, em documento datado de 15 de setembro de 1965, atendendo sugestão de muitos Bispos, instituiu o Sínodo dos Bispos, assumido pelo Documento do mesmo Concílio sobre o ministério dos Bispos, de 28 de outubro do mesmo ano, como um Conselho representativo de todo o Episcopado católico para a participação na solicitude do Papa pela Igreja Universal. O Sínodo se situa, pois, no contexto do Concílio Vaticano II, que desencadeou a renovação da Igreja, resgatou a dimensão da colegialidade, corresponsabilidade, participação e comunhão eclesiais em todos os níveis.

A palavra Sínodo é composição de duas palavras gregas (com e caminho) e significa caminhar juntos, caminhada em comum, encontro e reunião de pessoas. Daí a expressão sinodalidade, muito querida e utilizada pelo Papa Francisco para designar um processo participativo na Igreja.

O Sínodo tem assembleias gerais ordinárias, extraordinárias ou especiais. As gerais se dão de três em três anos e reúnem bispos representantes de todo o mundo. Já foram realizadas 15. As especiais congregam bispos de um país ou de vários ou de um Continente todo.

A assembleia do Sínodo tem três etapas. A primeira é a da escuta pela resposta a um “instrumento preparatório”, enviado aos bispos, padres, leigos, religiosos, solicitando descrever aspectos da realidade e propor sugestões a respeito do tema escolhido pelo Papa. A segunda é a realização da Assembleia com bispos indicados pelas Conferências Episcopais e confirmados pelo Papa e outros nomeados por ele, aprofundando o “instrumento de trabalho”, elaborado pelo Secretariado Geral do Sínodo a partir das respostas ao instrumento de preparação. Conta com a presença e o acompanhamento do Papa. A terceira é o documento que o Papa publica a partir das reflexões da assembleia sinodal.

No dia 15 de outubro de 2017, o Papa Francisco anunciou uma assembleia especial do Sínodo para a região amazônica, integrada por nove países, com o tema: “Amazônia, novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”. Novos caminhos que devem ser buscados com e para o povo de Deus que lá vive. Para o Papa, o objetivo principal é de “identificar novos caminhos para a evangelização daquela porção do Povo de Deus, especialmente dos indígenas, frequentemente esquecidos e sem perspectivas de um futuro sereno, também por causa da crise da Floresta Amazônica, pulmão de capital importância para nosso planeta”. Fica evidente que a convocação foi bem antes das queimadas deste ano naquela região e de outros aspectos atuais. Também que a Igreja não visa as riquezas daquela região, nem tratar de sua internacionalização, menos ainda intrometer-se nos governos daqueles países. A Igreja está presente lá há mais de 400 anos, sem nunca levar riquezas, mas carreando para a região recursos diversos e desenvolvendo inciativas de saúde, educação, promoção humana e outras.

Esta assembleia do Sínodo dos Bispos inicia neste primeiro domingo de outubro e vai até o próximo dia 27, em Roma.

Ela só pode ser bem entendida por quem conhece uma das linhas do atual pontificado, a Evangelização, expressa na exortação apostólica “A alegria do Evangelho”, resultante de uma assembleia sinodal, e a encíclica de Francisco, Laudato Si, sobre o cuidado com a Casa Comum.

Desejo a todos um domingo feliz e ótima semana, com a proteção de S.  José e N. Sra. de Fátima.

Pe. Antonio Valentini Neto – Administrador Diocesano de Erexim.