Artigos, Bispos › 12/06/2020

Somos um Povo Sacerdotal

Jesus Cristo foi constituído pelo Pai Sumo e Eterno Sacerdote. Só Ele, em nome das pessoas de todos os tempos, oferece a Deus Pai um sacrifício agradável. “Os sacrifícios e oblações que te foram oferecidos não eram suficientes para te aplacar. Então Eu disse: Eis-me aqui, ó Pai, para fazer a tua vontade.” (Carta aos Hebreus). As vítimas oferecidas no Antigo Testamento eram uma figura do Sacrifício da Nova Lei.

Pelo Batismo, fomos incorporados como membros do Corpo Místico de Jesus Cristo, formando um só corpo e uma só vida com Ele.

O Concílio Vaticano II ensina-nos que a Liturgia celebrada pela Igreja e na qual cada um de nós tem o seu papel, é o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo. Não somos, pois, na Missa, simples espectadores, mas oferecemo-nos a nós próprios e oferecemos o mundo em união com o único Redentor do mundo.

Por isso, quando Jesus se oferece em sacrifício ao Eterno Pai não se oferece só, nem atua como sacerdote isolado. Oferece-se e oferece-nos, de tal modo que somos sacerdotes e vítimas em união com Ele.

“Agora, se ouvirdes a minha voz, se guardardes a minha aliança, sereis minha propriedade especial entre todos os povos.”, nos diz a 1ª Leitura de hoje (Êxodo 19,2-6). A missão do único sacerdote aceito pelo Pai é ser Mediador, ser ‘ponte’. Por isso lhe chamamos Pontífice Eterno.

Construímos esta ponte falando dos homens a Deus, ao pedir, desagravar, louvar e agradecer por eles; e falando aos homens acerca de Deus, ou seja, ensinando-os a estabelecer com Ele uma relação filial.

A preocupação dos pais pela educação religiosa dos filhos e a frequência dos sacramentos; as diligências dos Movimentos da Igreja nas obras de apostolado; as nossas amizades que encaminham para Deus, e tantas outras iniciativas de caridade espiritual e material são o exercício deste sacerdócio real.

Mas o exercício do nosso sacerdócio real tem de começar, como nos diz acerca de Jesus a Carta aos Hebreus, por cumprir fielmente a vontade do Pai. Por isso lhe rezamos no Pai Nosso: “Seja feita a Vossa vontade, assim na terra (a começar pela vida de cada um de nós, em todas as situações da vida) como no Céu”. Como cristãos de alma sacerdotal, podemos fazer muito pelos nossos irmãos e pela humanidade:

Rezar pelas pessoas, para que se voltem para Deus na sua vida; falar às pessoas acerca de Deus.

Fazer de toda a vida uma oferenda agradável ao Senhor. Para isso, é preciso viver em santidade e em graça de Deus, fazendo o que Deus quer, como quer e quando quer.

Temos de ser sinais de Deus no meio das pessoas, pelo nosso comportamento e pelas nossas palavras. (Qual o segredo para que esta pessoa se esforce por fazer o trabalho perfeito e com alegria; e não dobre o seu joelho diante do dinheiro, das honras e da sensualidade, sendo honesta em toda a sua vida?) Não bastam as cruzes e outros objetos religiosos.

Nosso compromisso de cristãos deve levar-nos a sermos sinais de Deus no meio do mundo.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen