Artigos, Bispos › 28/10/2020

Todos chamados à santidade

A Festa de todos os Santos e a celebração de finados nos faz pensar no destino que nos espera. Todos sonhamos com um fim de glória, um fim feliz, um fim que não é um fim, mas o início de uma vida nova, plenificada em Cristo Jesus.

No decorrer do ano, “a Igreja celebra as memórias dos mártires e dos confessores, de muitos outros Santos, que, conduzidos à perfeição pela multiforme graça de Deus e recompensados com a salvação eterna, cantam nos céus o perfeito louvor de Deus e intercedem em nosso favor”.

Falar da santidade de alguém é reconhecer a heroicidade das suas virtudes humanas e cristãs e a ação da graça de Deus em sua vida.

A celebração de todos os santos é a festa da santidade anônima. Da santidade entendida, em primeiro lugar, como dom de Deus e resposta fiel da criatura humana. A iniciativa é sempre de Deus. Ao homem o mérito de responder e corresponder.

Alguém a definiu assim: “A santidade pode ser comparada a um grande mosaico que reflete a grandeza da única santidade: Deus. Cada santo ou santa é um exemplar único e exclusivo. Não podemos pensar a santidade como um produto em série, que emerge da fantasia; é realizada singularmente pela mão do Artífice divino”.

Muitas vezes, quando falamos do santo, somos tentados a apresentá-lo como pessoa perfeita, como se fosse um super-homem ou uma supermulher. Não! Os santos são pessoas normais. Fizeram sua caminhada de vida seguindo os passos de Jesus como nós, com seus limites e qualidades, mas se destacaram pela fé vivida e traduzida em obras de caridade.

A grandeza deles aparece na sua pequenez, no fato de terem deixado a graça de Deus trabalhar neles. Não é o extraordinário e o grandioso aos olhos do mundo que faz o santo, mas o cotidiano vivido de forma coerente. Por isso o Concilio Vaticano II foi muito feliz em afirmar que todos somos chamados à santidade.

Nem todos entendem esse convite à santidade. Especialmente os jovens, pensam que isso lhes tira a liberdade, que não os deixam viver e serem felizes. Enganam-se redondamente, porque toda pessoa que se aproxima de Deus e leva uma vida arraigada na fé em Jesus Cristo, o coração dela se abre, os olhos ficam iluminados e as virtudes afloram, deixando a pessoa sempre mais feliz.

Todos podemos ser santos, sim! Não importa se temos muitas ou poucas qualidades. Cada um vivendo fielmente sua vocação será uma pedrinha importante no precioso mosaico da vida cristã. Todos somos chamados à santidade. Deixemos a graça de Deus trabalhar em nós.

Para refletir: Como ressoa em mim esse tema da santidade? Tem alguma coisa a ver comigo? De que forma se manifesta na minha vida? Confio a minha vida a intercessão de algum santo? O que me leva a invocá-lo? Tenho no meu convívio alguma pessoa que onde está exala perfume de santidade?

Textos bíblicos: Sb 4, 7-15; 1Jo 3, 1-3; Mt 5, 1-12; Sl 23(24).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório