Artigos, Bispos › 25/03/2022

Todos somos filhos pródigos

O pecado afeta a cada um de nós. De princípio não somos pecadores porque pecamos, mas ao contrário, pecamos porque somos pecadores, ou seja, nascemos marcados pelo pecado, que nos é transmitido por geração, desde o pecado de nossos primeiros pais no Paraíso.

Sentimos ao redor de nós toda a maldade do pecado, que se expressa não só através das realidades sociais marcadas pela negação de Deus, como as guerras, a fome, a miséria, o ódio racial e tantas outras, mas principalmente porque experimentamos em nosso próprio ser estas consequências tão dramáticas do pecado pessoal: nossas infidelidades a Deus, o ódio, o rancor, o desrespeito às pessoas, etc.

À luz da fé, entendemos que a raiz do pecado está na nossa incapacidade de amar. Nosso pecado fundamenta-se no afastamento de Deus, sendo sempre a causa de nossos males.

No entanto, frente a esta difícil e sofrida situação, encontramos sempre um Deus que manifesta por nós um amor infinitamente maior que a soma de todos os pecados da humanidade. Um Deus que, apesar de nossas repetidas recusas, vem ao nosso encontro para nos perdoar e para nos fazer reviver, como filhos.

Jesus vem a este mundo para inaugurar um novo tempo, aquele do perdão. Vem, segundo Ele mesmo diz “não para condenar o mundo, mas para salvá-lo” (João 12,47). Busca-nos assim como o pastor vai atrás da ovelha perdida; assim como a mulher procura a moeda perdida em casa. Jesus nos ensina que Deus Pai é como aquele homem que espera ansiosamente pela volta de seu filho que abandonou egoisticamente a casa paterna. Jesus escreve uma nova história para a humanidade. A história da misericórdia e do perdão. E a Igreja é a continuidade de Jesus no mundo. A Missão da Igreja consiste exatamente em ser esta Casa de Amor, onde cada filho de Deus é acolhido, perdoado, alimentado e salvo por Deus.

Na 1a Leitura deste Domingo, vemos como se conclui o êxodo do Povo escolhido, que pela primeira vez celebra a Páscoa na Terra Prometida por Deus. As Promessas de Deus nunca deixam de se realizar. No caminho que durou quarenta anos, o Povo foi alimentado pelo maná. Hoje, nós que somos o novo Povo de Deus somos alimentados pelo Pão da vida eterna, a Eucaristia.

A 2a Leitura é tirada da segunda Carta de São Paulo aos Coríntios. A mensagem do Apóstolo é destinada especificamente àquela Comunidade cristã. Mas é inspiradora para todos nós: Deus reconcilia o mundo consigo, por meio de Cristo. Nele, nos tornamos criaturas novas. Devemos viver portanto, a nova vida que Jesus veio nos trazer.

O Evangelho (Lucas 15,1-3.11-32) narra-nos a parábola do filho pródigo, talvez melhor intitulada do pai misericordioso. O objetivo de Jesus é nos mostrar a misericórdia de Deus para com o pecador arrependido de seus pecados. Deus nunca abandona seus filhos, e os acolhe amorosamente quando decidem voltar para a casa paterna, para o coração do Deus amor.

Na Santa Missa agradecemos ao Pai que nos enviou Jesus Cristo, Seu Filho amado, para nos libertar do mal do pecado. Participemos da Eucaristia sempre muito agradecidos. E caso não pudermos comungar, por nos encontrarmos em situação de pecado grave, longe da Casa do Pai, voltemos rapidamente a este convívio santo, através do Sacramento da Reconciliação e da Paz.

Dom Antonio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen