Artigos, Bispos › 07/01/2022

“Tu és o meu Filho amado”

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! Como Igreja, comunidade de fé, povo de Deus a caminho da casa do Pai, celebramos neste domingo a Festa do Batismo do Senhor. É uma oportunidade para refletirmos sobre o Batismo que recebemos, e pelo qual fomos acolhidos na Igreja como filhos e filhas de Deus.

Com o batismo de Jesus, e através do nosso batismo, passamos a tomar parte da graça de Deus, marcados interiormente, no coração, pelo seu amor. Este amor provoca uma mudança no modo de ver o mundo, as coisas e a realidade que está ao nosso redor. Tocados por esse amor divino, poderemos entender melhor porque a graça do batismo é um ponto de partida na vida de Cristo, mas também do cristão. Por isso, não devemos fechar o coração ao agir da graça de Deus na nossa vida. Ela continua transformando o batizado durante toda a sua existência, para transformá-lo em Cristo, tornando-o capaz de sentir aquilo que ele sente, escolher aquilo que ele escolhe, amar aquilo que ele ama, ter compaixão pelo próximo e viver a vida com esperança.

O batismo de Jesus, por João Batista, descrito pelo evangelista Lucas, nos fala de uma experiência espiritual. Jesus estava na fila junto com todos aqueles que iam até o Rio Jordão para serem batizados por João Batista. Jesus entra na fila com os pecadores, mostrando-se solidário com o povo sedento da graça de Deus. Ele é o Filho de Deus, mas se faz irmão entre os irmãos.

Jesus, depois de recolher-se em oração, recebe o batismo de João Batista e “o céu se abre e desce sobre ele o Espírito Santo”. Somente na oração é revelada a missão de Jesus: “Tu és o meu Filho amado, em ti ponho o meu bem-querer” (Lc 3,22). Poderíamos também nos perguntar: por que Jesus se fez batizar como os pecadores? Ele não tinha necessidade de conversão, nem de ser perdoado por Deus. Mesmo assim, ele se coloca na fila, como os outros, e se faz solidário com o seu povo. Jesus se deixa batizar, porque assume o pecado. Nele se realiza o verdadeiro encontro entre a humanidade pecadora e Deus. O Espírito Santo, em forma de pomba, que desce do alto, vêm de Deus e não do homem.

Jesus o Filho amado do Pai, libertará e salvará o homem do pecado e de todo o mal. A partir do batismo, o Espírito Santo acompanhará os passos de Jesus na sua missão. Mas o batismo de Jesus no Rio Jordão também antecipa o evento do Calvário, quando o Filho amado do Pai, mergulhará na morte, como aqui mergulha na água. Quando entregará a vida sobre o Calvário, o véu do templo se rasgará, no batismo é o céu que se abre, para que o Espírito Santo possa descer e a multidão possa ouvir a voz de Deus.

Sobre o Calvário, Jesus entregará a todos o Espírito, no batismo ele recebe o Espírito. Sobre o Calvário ele se dirige a Deus chamando-o de “Pai”, no batismo é o Pai que o chama de “Filho”. O batismo é a semente que cresce e sobre o Calvário tornar-se-á a árvore da Cruz, porque no Filho amado Deus se entrega a nós para sempre, como Pai amoroso e misericordioso.

+ Dom José Gislon, OFMCap. – Bispo Diocesano de Caxias do Sul e Presidente da CNBB Sul 3