Bispos › 24/11/2022

Um povo bom e generoso

Mesmo tendo escrito sobre o tema antes do Congresso Eucarístico Nacional, volto sobre o tema trazendo meu sentir e experiência vivida em Recife e Olinda de 11 a 15 de novembro. Temos jeitos e jeitos de lermos os acontecimentos e eventos que realizamos e participamos. Entrando no “advento” que nos prepara a celebração do mais belo e original “evento” da história humana, vamos olhar um pouco mais para o congresso e seu legado.

Gostaria de dizer que não é qualquer Arqui/diocese que tem condições de sediar um Congresso desse porte, pela estrutura e organização que requer. O Centro de Eventos da cidade de Recife foi um espaço privilegiado para a celebração de abertura, para as conferências, oficinas, shows e exposição de materiais religiosos e das pastorais… Certamente a parceria com o poder público deve ter ajudado em muito. Tudo muito bem pensado e organizado. As celebrações de abertura e encerramento foram apoteóticas.

Mas a parte mais importante para mim foi o envolvimento das mais de 160 paróquias com suas comunidades e famílias que acolheram os congressistas nas casas de família e paroquiais. Mesmo sendo um tanto sacrificado o deslocamento das periferias ao centro, isso contribuiu para que o congresso não tivesse um ar de triunfalismo. O contato com o povo acolhedor, bom e generoso nas paróquias das periferias, que são muitas e grandes, nos ajudou em muito a não esquecer a relação entre eucaristia e vida.

Todas as conferências e oficinas enfatizaram a ligação íntima entre a dimensão sacramental/teológica da Eucaristia e a dimensão transformadora da mesma. Celebrar a Eucaristia, comungar o Corpo e o Sangue do Senhor implica em compromisso com a vida dos irmãos e irmãs mais necessitados. O convite à comunhão, à fraternidade, a caminhar juntos, ao diálogo com o diferente e à superação dos conflitos foram uma constante. Não podemos celebrar uma coisa e fazer outra. A Eucaristia carrega em si esse poder aglutinador e transformador.

Ficou muito clara a profunda relação entre Eucaristia e Missão. A Celebração Eucarística com sua riqueza litúrgica, feita de gestos e palavras, tem poder de aquecer os corações dos discípulos provocando-os a sair ao encontro dos irmãos para anunciar o mistério da salvação em Cristo Jesus crucificado/ressuscitado. Os momentos mais emocionantes do congresso não foram as grandes celebrações, mas aquelas realizadas lá nas bases onde estávamos hospedados, especialmente das primeiras eucaristias.

Os objetos mais significativos que nós bispos recebemos não são os paramentos litúrgicos, embora discretos e úteis, mas a cruz de madeira, imitação da cruz de Dom Helder, profeta da esperança e sinal de compromisso com o povo sofredor que espera por solidariedade. A Cruz sempre lembra que salvação chega a todos pelo sangue precioso de Jesus. Na Eucaristia fazemos memória desse mistério da nossa fé. Que nossa participação frequente não nos deixe esquecer dos pobres e necessitados.

Para refletir: Se tenho participado de alguma forma do Congresso Eucarístico, o que mais me tocou? O que chamou minha atenção? Vejo algo de bom nesse tipo de evento em função da evangelização? Qual mensagem principal se depreende da Eucaristia?

Textos bíblicos: Is 2, 1-5; Rom 13, 11-14; Mt 24, 37-44; Sl 121(122).

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório