Artigos, Bispos › 05/06/2020

Um só Deus em três pessoas

Desde a segunda-feira passada, nós já estamos no tempo comum, mas ainda celebramos algumas festas vinculadas ao tempo pascal. Neste domingo, a nossa reflexão gira em torno deste nosso único Deus que se revelou em três pessoas.

Sim a grande característica de toda a experiência do Antigo Testamento foi a implantação da idéia do monoteísmo. Enquanto todos os outros povos e as outras culturas antigas sempre tinham muitos deuses, desde Abraão, passando por Moises e pelos profetas, sempre se revela um Deus único.

Esta experiência de fé num Deus único aparece claramente na primeira leitura: “Senhor, se é verdade que gozo do teu favor, peço-te caminha conosco; embora este seja um povo de cabeça dura, perdoa nossas culpas e nossos pecados e acolhe-nos como propriedade tua” (Ex. 34,9).

Este povo de cabeça dura tinha enormes dificuldades em se acostumar à idéia do monoteísmo. A grande tentação era sempre a idolatria. A luta dos profetas era em favor de um único Deus que enviaria um Salvador. E vejam o que nos diz o Evangelho deste domingo: “Deus amou tanto o mundo, que deu o seu Filho unigênito, para que não morra todo o que nele crer, mas tenha a vida eterna. De fato Deus não enviou o seu Filho para condenar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele” (Jo 3,17).

Este Filho de Deus, nosso Salvador, ele nos revelou o Pai e nos preparou para a vinda do Salvador, por isso, bem depois o grande convertido do cristianismo, Paulo pode introduzir uma nova forma de saudação: “A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós” (2Cor 13,13). Para Paulo, já esta claro que nós temos um só Deus, que se manifestou de diferentes modos, em três pessoas.

A Igreja, para formular esta doutrina e firmar esta convicção, levou quase quatro séculos. Mas, hoje, para todos os seguidores de Cristo, nas mais diferentes experiências de fé, isto é doutrina e ponto de partida para toda a vida cristã. Nós cremos em um só Deus e Senhor, mas em três pessoas iguais e distintas. Esta é a nossa fé, que sempre de novo, renovamos.

Dom Zeno Hastenteufel – Bispo Diocesano de Novo Hamburgo