Artigos, Bispos › 29/10/2020

Uma multidão que ninguém podia contar…

O Apocalipse de São João, último livro da Bíblia, fala das tribulações que temos de passar neste mundo para ser fiéis a Cristo. Mas fala também do Céu, da meta onde havemos de chegar.

Dele é tirada a 1ª Leitura que ouvimos nesta Solenidade de Todos os Santos (Apocalipse 7,2-4.9-14). Nessa visão o Apóstolo São João mostra-nos a multidão imensa que ninguém pode contar dos que alcançaram a vitória com Cristo. E não são apenas cento e quarenta e quatro mil, como pretendem alguns, que leem a Bíblia com olhos torcidos. Este número é um número simbólico, representa a infinidade, a plenitude.

Olhamos, hoje, para esses irmãos que já venceram. Animamo-nos com eles a ganhar o prêmio. É preciso trabalhar e sofrer. É preciso passar pela grande tribulação. É preciso lutar por ser fiel, apesar da guerra que nos move o demônio e os que trabalham para ele. É preciso lutar e acolher a Graça salvadora que o Senhor nos oferece. Com a Graça de Deus, alcançaremos a vitória, se somos humildes e se empregamos os meios que o Senhor pôs à nossa disposição. Ele lava-nos uma e outra vez no Seu Sangue divino, no Sacramento do Perdão. E alimenta-nos com o Pão da Vida eterna.

Os santos animam-nos a correr para a meta com mais entusiasmo. São aqueles que com seus exemplos e sua intercessão puxam por nós. Entre eles estão, neste momento, muitos familiares e amigos que viveram conosco na terra. Os santos do Céu são nossos irmãos, filhos de Deus como nós, pelo Batismo. Formamos uma família maravilhosa muito mais real e unida que a família de sangue. Eles são também para nós modelos para imitar. Lutaram e venceram. Copiaram nas suas vidas a Jesus, o Primogênito entre muitos irmãos, verdadeiro Deus e verdadeiro homem e modelo da nova Humanidade. E foi dele que receberam a graça. Lavaram as suas túnicas e as branquearam no sangue do Cordeiro. Com Ele alcançaram a palma da vitória. Os santos do céu dizem-nos, hoje, que vale a pena amar e sofrer por Jesus e trabalhar para que todos o conheçam e o amem.

Todos desejam o Céu, porque todos anseiam por ser felizes. Muitos não descobrem o caminho. Por ignorância, ou por que não querem seguir as indicações de Jesus. Outros já desanimaram de lá chegar. Vale a pena pensar no Céu. Como os esportistas sonham com a meta e com o prêmio. E este não é nada comparado com o que nos espera um dia. São Paulo lembra: ”Nem os olhos viram nem os ouvidos ouviram, nem pela imaginação do homem passou o que Deus tem preparado para aqueles que O amam” (1º Coríntios 2,9).

O que é afinal o Céu? Como podemos imaginá-lo? É a contemplação de Deus, Pai, Filho e Espírito Santo. Diz-nos a 2ª Leitura (1ª João 3,1-3): ”Veremos a Deus tal como Ele é”. Se há coisas maravilhosas aqui na terra, elas não passam de sombras de quem as criou. E a sombra pouco é perante a realidade.

Essa visão amorosa de Deus não cansa. E sacia o coração do homem até o fazer transbordar. Por isso São João, no Apocalipse, fala do céu como uma festa, com aclamações e cânticos de júbilo. Será um festim de felicidade, de harmonia, de amor, que não satura. Mergulharemos no mar de amor infinito que é Deus, inebriar-nos-emos desse amor, que o levou a tornar-nos seus filhos, membros da sua família, irmãos de todos os santos.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen