Artigos, Bispos › 04/02/2020

Urgência em dissipar as trevas

As trevas são símbolo do pecado no mundo, fruto do egoísmo e do orgulho dos homens. E as trevas acontecem porque o orgulho cega, oprime, rejeita, é causa de abandono, de fomes, de guerras. Para este mundo, onde, infelizmente estes problemas são tão comuns, torna-se urgente que surja a luz das boas obras, que por sua vez serão fruto de verdadeiro amor, que se concretiza com o repartir do pão com o faminto, do dar pousada aos pobres sem abrigo. E na hora que passa são tantos os que necessitam destes gestos de amor. Como é urgente apontar verdadeiros caminhos de salvação para todos os nossos irmãos!

Mas quem deverá ser essa tão desejada “luz do mundo”? A resposta é dada por Jesus no Evangelho do próximo domingo (Mateus 5,13-16): “Vós sois a luz do mundo”. Jesus fala a seus discípulos, ou seja, a todos aqueles que estão enxertados em Cristo e por isso devem andar na Escola do mesmo Jesus. Nessa Escola entramos pelo Batismo. É verdade, por sermos batizados temos obrigação,  por uma obrigação de coerência de fé, ser luz do mundo. E a grande lição que Jesus nos deu e continua a dar é a lição do Amor: lava os pés aos Apóstolos, aproxima-se dos pecadores a quem perdoa, dá-nos a Sua Mãe e dá-se Ele mesmo, derramando todo o Seu Sangue na Cruz por nós e  ainda ficando conosco no Santíssimo Sacramento. Sendo infinitamente rico, não teve nada mais para nos dar. A Ele devemos a própria vida que usufruímos. E Jesus tudo isto fez e faz porque sendo Senhor de tudo quanto existe, se fez pobre e nos pediu que o imitássemos. É Ele o Mestre por excelência: ensina, fazendo Ele primeiro. Eis a grande lição que devemos aprender e viver para sermos aquilo de que o mundo precisa: ser humildes para sermos úteis ao próximo, servindo-o. É essa a linguagem que todos compreendem e verdadeiramente apreciam. É a linguagem reveladora do verdadeiro Amor que é Deus. Foi esta a linguagem usada por São Paulo na Carta aos Coríntios.

O sal dá sabor aos alimentos e conserva-os. A vida tem sabor se nela esse sal existir. Esta vida é o caminho “estreito” do cumprimento dos deveres de um filho de Deus.  Tais deveres podem por vezes exigir aquilo que contraria as tendências das paixões terrenas impondo algumas dificuldades, mas vale a pena vivê-la, pois tais sacrifícios dão verdadeiro “sabor” à vida. São precisamente os caminhos contrários que conduzem ao desespero, ao suicídio, à amargura de viver. Que o digam os que se tornaram escravos da droga, das paixões, do pecado, de todos os caminhos de engano e de mentira.

Aceitemos de bom grado as exigências dos mandamentos. Aí encontraremos o “sal” da vida que dá sabor e verdadeira alegria ao viver. Jesus que nos ama e não nos engana. Ele afirma “o meu jugo é suave e a minha carga é leve”. Esses pequenos esforços, além de darem sabor à vida, são caminho da felicidade eterna, para a qual, o mesmo Senhor, a todos criou.

Dom Antônio Carlos Rossi Keller – Bispo de Frederico Westphalen