Artigos › 09/08/2018

Vida: Dom de Deus

Muitas estatísticas de suicídios estão alarmando o mundo. Só no Brasil seria quase uma quarentena por dia de pessoas que tiram a própria vida. A sociedade toda precisa assumir esta realidade e trabalhar urgentemente para descobrir as causas e buscar meios eficazes para prevenção e valorizar a vida como dom único de Deus.

O tema do suicídio é considerado um tabu. Evita-se falar, pois é uma ação muito complexa. No entanto, é uma questão de saúde pública e de fé que afeta as Famílias, as Religiões e toda sociedade humana.

Segundo dados de 2012 da agência da ONU, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sendo a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 25 anos. Setenta e cinco por cento dos suicídios ocorrem em países de baixa e média renda (NAÇÕES UNIDAS, 2016). Cf. Livro de Pe. Lúcio de Araújo Vale: “E Foram deixados para trás”, Ed. Loyola, 2017 p. 27).

As motivações que levam ao suicídio são diversas e perpassam situações sociais, psicológicas, econômicas, religiosas, familiares, etárias e de saúde, entre outras variáveis. Estudiosos sobre este assunto dão a entender que o suicida não quer morrer, mas é a única solução encontrada para os seus problemas, sua dor, angústia e sofrimento. “É uma situação de sofrimento que chega às raias do insuportável” (cf. Cassorla).

O que nos diz a fé? A vida é um dom de Deus. O Catecismo da Igreja Católica é muito claro: “O suicídio contradiz a inclinação natural do ser humano a conservar e perpetuar a própria vida… O suicídio é contrário ao amor do Deus vivo” (cf. Nº 2.281). No número 2.283 afirma: “A Igreja ora pelas pessoas que atentam contra a própria vida”. Não cabe ao ser humano julgar, mas confiar na misericórdia infinita de Deus.

O que podemos fazer para evitar o suicídio? As atitudes são múltiplas: valorizar a vida; trabalhar os relacionamentos interpessoais; precisamos conselhos, necessitamos desabafar, compartilhar angústias e anseios, diálogos, escuta, oração, evitar o estresse, falar sobre o valor da vida, buscar ajuda psicológica e espiritual. É fundamental a oração, a Palavra de Deus e abrir o coração para uma pessoa madura!

Dom Hélio Adelar Rubert – Arcebispo de Santa Maria