Artigos, Bispos › 05/10/2022

Vós sereis minhas testemunhas

Nossas reflexões durante o mês de outubro giram em torno do tema da Missão. Em função da coleta missionária a ser realizada mundialmente onde a Igreja já está instalada com o objetivo de criar comunhão e partilha a nível mundial em função da evangelização no mundo. A Igreja Católica no Brasil, através das Pontifícias Obras Missionárias, promove o mês Missionário com uma série de iniciativas visando a sensibilização pela causa missionária, convidando a contribuir segundo as possibilidades de cada um.

Para essa ocasião o Papa sempre escreve uma mensagem que chega a todas as comunidades. O tema deste ano, “Sereis minhas testemunhas”, se inspira na última conversa de Jesus ressuscitado com seus discípulos: “Recebereis a força do Espírito Santo que descerá sobre vós, e sereis minhas testemunhas em Jerusalém, por toda a Judéia e Samaria e até os confins do mundo” (At 1,8). Portanto, fica evidente que a Igreja é missionária desde a sua origem. A Igreja não simplesmente tem uma missão, mas é Missão. Em continuidade às Campanhas missionárias completamos o ciclo: a vida é missão, Jesus Cristo é missão e a Igreja é missão.

O chamado de todos os cristãos a testemunhar Cristo é o ponto central, o coração do ensinamento de Jesus aos discípulos em vista da sua missão no mundo. Todos os discípulos são testemunhas de Jesus graças ao Espírito Santo que recebem: serão constituídos como tais pela graça. Por onde forem, onde quer que estejam. Assim como Cristo é o primeiro enviado, o missionário do Pai (cf. Jo 20,21) e, como tal, é a sua ‘testemunha fiel’ (cf. Ap 1,5), assim cada cristão é chamado a ser missionário e testemunha de Cristo. E a Igreja, comunidade dos discípulos de Cristo, não tem outra missão senão a de evangelizar o mundo, de ser testemunha de Cristo. A identidade da Igreja é evangelizar.

A forma plural “vocês serão minha testemunhas” enfatiza o caráter comunitário-eclesial do chamado missionário dos discípulos. Portanto, a missão se realiza em conjunto e não individualmente, em comunhão com a comunidade eclesial e não por iniciativa própria… Daí a importância essencial da presença de uma comunidade, mesmo que pequena, no cumprimento da missão.

A primeira motivação para evangelizar é o amor de Jesus que recebemos, a experiência de sermos salvos por Ele é que nos leva a amá-lo cada vez mais. É fundamental, para a transmissão da fé, o testemunho de vida evangélica dos cristãos. Assim que, o exemplo de vida cristã e o anúncio de Cristo, caminham sempre juntos. São os dois pulmões com os quais cada comunidade deve respirar para ser missionária. Por isso o papa exorta todos a recuperar a coragem, a franqueza, aquela ousadia dos primeiros cristãos, para testemunhar Cristo, com palavras e obras, em todos os ambientes da vida.

Para refletir: Como esse modo de falar da missão do cristão provoca minha vida? Sinto-me incomodado, comprometido, empurrado a dar uma motivação missionária ao meu viver? Como posso me envolver mais com a missão na minha comunidade?

Textos Bíblicos: 2Rs 5,14-17; 2Tm 2, 8-13; Lc 17, 12-19; Sl 97.

Dom Jaime Pedro Kohl – Bispo de Osório