
Todos têm direito a uma tenda/casa
A ascese quaresmal bem vivida ajuda a superar a falta de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz e da solidariedade.

A ascese quaresmal bem vivida ajuda a superar a falta de fé e as resistências em seguir Jesus pelo caminho da cruz e da solidariedade.

Ao longo deste caminho quaresmal, a Transfiguração nos lembra que a cruz não é o fim, mas a passagem. Que a luz não elimina a noite, mas a ilumina por dentro. Que Deus não nos poupa da travessia, mas caminha conosco.

Voltando a atenção a Santa Cruz do Sul, segundo o último censo, apenas 61% das famílias vivem em moradias próprias e quitadas; recentemente, mais de 800 famílias disputaram 250 casas de um programa habitacional; mais de 30 mil pessoas têm uma renda de até meio salário mínimo. Com essa renda, como poderão adquirir uma casa ou pagar aluguel?

Hoje quero refletir sobre um tema muito importante que a Igreja nos convida a contemplar neste tempo da Quaresma: o chamado de Deus e a resposta da fé. A Palavra proclamada nos conduz ao coração da experiência vocacional e nos recorda que a vida cristã é feita de confiança, escuta e missão.

A experiência do monte não nos aliena do mundo; ao contrário, nos devolve a ele com um coração novo. Quem contempla Cristo transfigurado aprende a reconhecer, mesmo nos rostos marcados pelo sofrimento, a dignidade de filhos e filhas de Deus e a trabalhar para que essa dignidade seja respeitada e promovida.

Portanto, a Quaresma deveria ser na vida do cristão o tempo do silêncio, da escuta, da reflexão e do discernimento. Não o silêncio visto como fuga da realidade da vida, buscando um mundo paralelo e mais fácil. Mas o silêncio que busca contemplar o rosto transfigurado de Cristo Jesus, sobre o qual resplandece a luz de Deus e a face do Pai.

Escutar é um ato de obediência e seguimento. Aos discípulos se pede uma confiança incondicionada em Jesus. Escutar deve levar o discípulo onde Jesus vai, sem reservas e sem resistências. É acompanhar Jesus na estrada que vai em direção de Jerusalém, onde será submetido aos torturadores

O jejum é o remédio quaresmal para essa tentação. Ao jejuar, aprendemos que nem tudo o que é possível é necessário. O jejum educa o desejo, liberta o coração da escravidão do excesso e nos recorda que a vida tem uma profundidade que o consumo não alcança. Jejuar não é desprezar o pão, mas recolocá-lo no seu lugar justo. É aprender a dizer “basta” para que Deus volte a ser o essencial.

Pois bem, as conclusões dessas três parábolas são idênticas: alegria ao recuperar o perdido! Esforçar-se para não deixar nada se perder, não desanimar frente aos desafios do cotidiano, testemunhar a alegria de ajudar o necessitado, testemunhar esperança, acolhida, amor, misericórdia e vida…

Ensina o Catecismo da Igreja Católica: “A escritura e os padres insistem principalmente em três formas – o jejum, a oração, a esmola – que exprimem a conversão com relação a si mesmo, a Deus e aos outros” (n.1434) “Esses tempos são particularmente apropriados para os exercícios espirituais, às liturgias penitenciais, às peregrinações em sinal de penitência, às privações voluntárias como o jejum e a esmola, à partilha fraterna (obras de caridade e missionárias)” (n. 1438).
Regional Sul 3 da CNBB
Av. Sertório, 305
Navegantes – Porto Alegre-RS
CEP 91020-001
Fone (51) 3226-8387