Artigos dos Bispos
ARTIGOS DOS BISPOS

Quando a amizade se torna caminho para Deus
Toda amizade verdadeira traz consigo um reflexo do amor de Deus. Quando aprendemos a amar e acolher o amor com gratuidade, descobrimos que a amizade não é apenas um dom humano: é sinal e antecipação da comunhão para a qual fomos criados. Como ensinava Santa Teresa, os verdadeiros amigos de Deus tornam-se também os melhores amigos dos irmãos.

Sementes desperdiçadas e desprezíveis?
O que acontece quando o Evangelho do Reino de Deus não tem crédito nem entre aqueles que nele professam uma fé pública, ou quando é sequestrado por mentalidades tacanhas, por medos arcanos ou por interesses institucionais? Acaba germinando e se manifestando em outros terrenos, alheios ou contrários às instituições, igrejas e religiões. São os terrenos que as receberam em tempos remotos e as conservaram invisíveis. Quando o tempo se faz propício, a germinação acontece.

Trigo e joio
Diante da convivência diária com o mal e o desgosto que nos causa, surge a tentação de sermos juízes e justiceiros. Uma tentação que pode nos tornar desumanos, por isso o livro da Sabedoria alertava que o “justo deve ser humano”.

A Paciência e a Misericórdia de Deus
A Igreja, como campo de Deus, é chamada a ser sinal desse Reino. Seus membros devem cultivar a paciência, o diálogo e a acolhida. Os pais, educadores e líderes são convidados a não desistir das “plantas fracas”, mas a cuidar com amor, sabendo que a ceifa final pertence a Deus.

Ser cristão e ser cidadão não podem ser vistos de maneira separada
O caminho da conversão passa pelo coração, que acolhe os valores do Evangelho e os manifesta através da vida, como cristão e cidadão, na família e na sociedade. A participação na política, de forma ética, é uma forma do cristão contribuir na construção de uma sociedade que gere a inclusão e não a indiferença. “Não é preciso sair da Igreja para ir ao mundo, como não é preciso sair do mundo para entrar e viver na Igreja”.

Vigiar para proteger!
O único verdadeiro poder legítimo que possuímos é aquele, sim, de vigilância sobre nós mesmos, de transformar a nós mesmos, o nosso coração, olhar e sentir. Esta vigilância permite construir lucidez, temperança e crítica. Crítica que coopera para refletir mais intensamente a fim de colher o necessário para resistir a toda forma de poder que fere o bem comum.

Educar para a esperança
As novas gerações não precisam apenas de informações. Precisam de referências. Precisam de adultos que lhes mostrem, com a própria vida, que vale a pena acreditar, servir, amar e recomeçar. Educar para a esperança é, em última análise, ajudar cada pessoa a descobrir que Deus continua conduzindo a história, sustentando seu povo e abrindo caminhos de vida para o futuro.

Será que Jesus Cristo deveria voltar à escola?
Jesus não ignora o funcionamento das religiões e das instituições. Mas ele as critica com radicalidade, e propõe outra escala de valores e outros paradigmas de justiça. Não o representam as igrejas e comunidades que se fecham como gueto dos 99 justos, como seita que reúne os cidadãos mais honrados, ou as sociedades que premiam os vencedores por terem mérito e punem os empobrecidos porque os consideram fracassados.

Acolher com amor a Palavra de Deus
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela não volta vazia. Que o Senhor nos dê um coração humilde e generoso, capaz de acolher a semente e produzir muito fruto para a glória de Deus e o bem dos irmãos.

O semeador saiu a semear
Não cabe a nós decidir onde semear ou estabelecer a data e a quantidade da colheita. Mas é preciso seguir o exemplo de Jesus semeando a boa semente da Palavra em todos os lugares e em todos os tempos. Fazer isto é sinal de fé no poder da Palavra e esperança no tempo de Deus.

Olhar a dor do outro como se fosse minha
Como cristãos podemos e devemos ser solidários, manifestando a nossa compaixão e nos tornando sinal do amor, da ternura e da misericórdia de Deus para com os irmãos que padecem. O bom samaritano não fica perguntando quem é meu próximo, ele se faz próximo daquele que precisa, sabe manifestar compaixão, é capaz de ações de misericórdia, generosas, desinteressadas e livres de preconceitos. O exemplo dele é Jesus, que se fez próximo de cada um, dos justos e injustos, dos santos e pecadores, dos amigos e inimigos. Ele está atento não só às próprias preocupações, mas também às necessidades dos outros. Para o samaritano, o próximo não é definido por uma teoria, mas por um apelo à sua misericórdia: o fazer-se próximo pelo amor-caridade, comprometido com a vida, com o irmão, com a vida eterna no Reino de Deus.

O valor do descanso na vida cristã
Descansar, para o cristão, não é interromper a vida. É permitir que o Senhor restaure aquilo que o excesso de preocupação desgasta, reacenda a esperança e fortaleça a missão. Quem sabe repousar em Deus retorna ao caminho com o coração mais livre, o olhar mais sereno e a alegria renovada para servir.

Um falso dilema
Afirmando a transcendência absoluta de Deus, a teologia judaico-cristã relativiza todos os conceitos e instituições. Ao mesmo tempo, afirma a dignidade incorruptível de cada criatura, em razão de sua relação ontológica com a divindade. O conflito só existe entre um pensamento fechado e uma noção de Deus como Outro que chama, desperta e envia.

Vinde a mim
Amar é um “jugo” porque é o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade, quer materiais, como a fome e as injustiças, quer para dar um sentido para a vida, quer para os problemas éticos, por dar um parâmetro. Para o cristão a fonte do amor é Deus. Jesus pede para aceitar o jugo do amor que faz a pessoa humilde, simples e “ter um coração semelhante ao do Senhor”, como se reza na Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.

A hospitalidade e o discipulado radical
Que o Espírito Santo nos ajude a viver este discipulado radical: mortos para o pecado, vivos para Deus, generosos na hospitalidade e corajosos no testemunho. Assim, acolhendo e sendo acolhidos em nome de Jesus, receberemos a recompensa da vida eterna. Amém.

Alargar a tenda do coração para acolher os irmãos!
A Igreja peregrina tem a missão de anunciar e atualizar, no tempo e na história, a mensagem do Evangelho, discernindo os passos da missão, a partir da escuta do Espírito Santo. As Diretrizes Gerais têm por objetivo: “Evangelizar, anunciando Jesus Cristo, como Igreja sinodal, sustentada pela Palavra e pelos Sacramentos, em comunidades de discípulos missionários, fiel à evangélica opção preferencial pelos pobres, a caminho da plenitude do Reino de Deus” (Documentos da CNBB 114).

São Pedro e São Paulo
Celebramos solenemente o martírio dos santos apóstolos Pedro e Paulo. “Pedro, o primeiro a confessar a fé em Cristo; fundou a Igreja sobre a herança

O Brasil será uma nação de imprestáveis?
Hoje, “a idolatria do mercado” ainda trata milhões de pessoas como “imprestáveis”. Um candidato a presidente, herdeiro de grande fortuna, fala e repete, sob aplausos de uma elite de empresários, que um Estado que socorre as pessoas vulneráveis, acaba produzindo uma “geração de imprestáveis”. Será que modernizar a economia significaria apenas aperfeiçoar os mecanismos de expropriação e deixar os pobres à própria sorte?

Pedro e Paulo: diferentes na missão, unidos no amor a Cristo
Num tempo em que tantas diferenças se transformam em divisões, Pedro e Paulo recordam que a unidade não exige uniformidade. A Igreja é rica justamente porque reúne diversos carismas, sensibilidades, culturas e vocações. A comunhão nasce quando todos reconhecem que Cristo é maior do que nossas preferências e opiniões e projetos pessoais.

A Solenidade de São Pedro e São Paulo
Que São Pedro nos ensine a firmeza da fé e a humildade do verdadeiro pastor. Que São Paulo nos inspire o ardor missionário e o amor apaixonado pelo Evangelho. E que, unidos ao Santo Padre e em comunhão com toda a Igreja, caminhemos sempre na fidelidade a Cristo, para que o mundo reconheça nele o único Salvador e Senhor da história.

Disponibilidade e fidelidade, até na hora do martírio!
Porque o verdadeiro discípulo não deve jamais deixar de lutar contra os aspectos da vida que podem levá-lo a afastar-se de Deus. O maior inimigo, para quem é enviado a anunciar Jesus Cristo, não é tanto quem o quer eliminar fisicamente, mas tudo aquilo que pode minar e fragilizar a sua confiança no Senhor, o seu doar-se gratuitamente, o seu ser misericordioso, o seu entregar-se para poder cuidar dos outros.

A Copa da paz: quando o esporte se torna linguagem de esperança
A esperança nasce quando aprendemos a jogar juntos. E a paz começa quando descobrimos que pertencemos à mesma equipe: a família humana, sonhada e amada por Deus.

João Batista, o profeta do Altíssimo
O nascimento de João sacramentaliza a delicadeza de um Deus que levanta o manto da vergonha e da dor que, numa sociedade machista, pesa sobre uma mulher idosa e sem filhos (cf. Lucas 1,25). Os vizinhos se alegram com esta demonstração da misericórdia de Deus. E a razão dessa alegria está no próprio nome dado àquele prodígio nascente.

“Não tenhais medo!”
Se o medo paralisa, a presença amiga e protetiva de Deus lança o discípulo em missão. “Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pais que está nos céus”. Testemunhar, declarar Jesus Cristo no mundo não é feito somente de palavras, mas pertencer a ele com o coração e a vida. É fazer isto com alegria pois se está oferecendo algo muito valioso ao mundo.