Artigos dos Bispos
ARTIGOS DOS BISPOS

Presbíteros: homens de Deus para servir o seu Povo
A celebração do Dia do Presbítero, tradicionalmente associada à memória de São João Maria Vianney, convida-nos a contemplar a beleza e a grandeza do ministério

Quando a soberania de um povo corre perigo
É claro que Jesus não se identificou com um grupo político específico, e é verdade que os cristãos não podem fazê-lo em nome da fé. Mas Jesus Cristo não se omitiu nem se acovardou quando se tratou de defender a soberania dos seus conterrâneos e de todos os grupos que tinham sua dignidade ameaçada pelas elites nacionais ou pelos poderes externos. E, aqui, os Jesuítas fizeram o mesmo para defender os povos nativos.

O milagre da partilha
A única saída que os discípulos vislumbravam para a multidão que estava com Jesus no deserto e em hora adiantada era despedir as pessoas. A sabedoria divina indica outro caminho possível e melhor: envolver os discípulos e a multidão na procura de outras respostas. Na busca da solução encontram alguém que só tem “cinco pães e dois peixes”. De fato, pelos critérios humanos e da matemática não é a solução para a quantidade de alimento necessário. Mas algo importante já aconteceu: o envolvimento dos discípulos na busca de soluções e quem tinha o alimento colocou à disposição para a partilha. Temos nesta postura uma luz diante da situação da fome de tantas pessoas no mundo. Precisamos de pessoas que pensem segundo os critérios da partilha, da fraternidade em relação aos bens materiais.

O convite ao banquete da vida
Finalmente, a liturgia assegura-nos que nada — absolutamente nada — pode separar-nos deste amor que se faz pão e se faz presença. Mesmo quando a noite parece longa e os recursos escassos, as mãos de Deus continuam abertas e o amor de Cristo permanece vitorioso. Nesta certeza, somos convidados a sentar-nos à mesa, a deixar-nos saciar e a tornar-nos, por nossa vez, pão para os outros.

Chamados para servir
Por isso, tomo a liberdade de convidar todos os diocesanos a formarmos uma corrente de oração, neste mês de agosto, pelas vocações ao sacerdócio, ao diaconato permanente, à vida consagrada, aos ministérios leigos e, de modo especial, pelas famílias, berço de todas as vocações.

Os avós: memória viva da esperança
Uma sociedade será tanto mais humana quanto mais souber acolher, escutar e honrar aqueles que lhe transmitiram a vida, a história e a fé. Ao aproximarmos jovens e idosos, não preservamos apenas as lembranças do passado: abrimos caminhos para que a esperança continue sendo transmitida de geração em geração.

A palavra de um Deus pregado na cruz
O Papa Leão XIV nos ensina que “a carne do Filho, pobre e vulnerável, remete para a carne de tantos irmãos e irmãs despojados da sua dignidade e reduzidos ao silêncio. Nesta carne ferida e amada, o Pai mostra-nos a verdadeira humanidade de uma vida que se realiza na abertura e na comunhão, a ponto de nos fazer desejar que a sua vontade se faça assim na terra como no Céu” (Magnifica Humanitas, § 231). Fala-nos, Senhor!

Tesouro
Ao final da parábola Jesus diz que o discípulo é “como o pai de família que tira do se tesouro coisas novas e velhas”. O tesouro é Cristo. Dele sempre se tira coisas novas num mundo onde tudo passa e envelhece. O tesouro divino nunca deixa de brilhar e nem perde seu valor. Nós é que envelhecemos e podemos cobrir o seu brilho, nem por isso o tesouro deixa de existir.

Sabedoria, Reino e Confiança em Deus
Neste domingo, a Igreja recorda-nos que a verdadeira riqueza não está nas posses, mas na união com Deus. A sabedoria divina orienta-nos a discernir o que realmente importa. Que a liturgia nos impulsione a viver com alma de Eucaristia, fazendo da vida inteira uma missa prolongada, cheia de amor a Deus e aos irmãos. “Sê alma de Eucaristia! Se o centro dos teus pensamentos e esperanças estiver no Sacrário, filho, que abundantes os frutos de santidade e de apostolado!” (São Josemaría Escrivá).

Dia Mundial dos Avós e dos Idosos: proximidade e gratidão
Na vida, sempre podemos aprender com os nossos avós e os idosos, mestres formados na escola do tempo, que guardam na memória a história da vida, da família e da comunidade.

Quando a amizade se torna caminho para Deus
Toda amizade verdadeira traz consigo um reflexo do amor de Deus. Quando aprendemos a amar e acolher o amor com gratuidade, descobrimos que a amizade não é apenas um dom humano: é sinal e antecipação da comunhão para a qual fomos criados. Como ensinava Santa Teresa, os verdadeiros amigos de Deus tornam-se também os melhores amigos dos irmãos.

Sementes desperdiçadas e desprezíveis?
O que acontece quando o Evangelho do Reino de Deus não tem crédito nem entre aqueles que nele professam uma fé pública, ou quando é sequestrado por mentalidades tacanhas, por medos arcanos ou por interesses institucionais? Acaba germinando e se manifestando em outros terrenos, alheios ou contrários às instituições, igrejas e religiões. São os terrenos que as receberam em tempos remotos e as conservaram invisíveis. Quando o tempo se faz propício, a germinação acontece.

Trigo e joio
Diante da convivência diária com o mal e o desgosto que nos causa, surge a tentação de sermos juízes e justiceiros. Uma tentação que pode nos tornar desumanos, por isso o livro da Sabedoria alertava que o “justo deve ser humano”.

A Paciência e a Misericórdia de Deus
A Igreja, como campo de Deus, é chamada a ser sinal desse Reino. Seus membros devem cultivar a paciência, o diálogo e a acolhida. Os pais, educadores e líderes são convidados a não desistir das “plantas fracas”, mas a cuidar com amor, sabendo que a ceifa final pertence a Deus.

Ser cristão e ser cidadão não podem ser vistos de maneira separada
O caminho da conversão passa pelo coração, que acolhe os valores do Evangelho e os manifesta através da vida, como cristão e cidadão, na família e na sociedade. A participação na política, de forma ética, é uma forma do cristão contribuir na construção de uma sociedade que gere a inclusão e não a indiferença. “Não é preciso sair da Igreja para ir ao mundo, como não é preciso sair do mundo para entrar e viver na Igreja”.

Vigiar para proteger!
O único verdadeiro poder legítimo que possuímos é aquele, sim, de vigilância sobre nós mesmos, de transformar a nós mesmos, o nosso coração, olhar e sentir. Esta vigilância permite construir lucidez, temperança e crítica. Crítica que coopera para refletir mais intensamente a fim de colher o necessário para resistir a toda forma de poder que fere o bem comum.

Educar para a esperança
As novas gerações não precisam apenas de informações. Precisam de referências. Precisam de adultos que lhes mostrem, com a própria vida, que vale a pena acreditar, servir, amar e recomeçar. Educar para a esperança é, em última análise, ajudar cada pessoa a descobrir que Deus continua conduzindo a história, sustentando seu povo e abrindo caminhos de vida para o futuro.

Será que Jesus Cristo deveria voltar à escola?
Jesus não ignora o funcionamento das religiões e das instituições. Mas ele as critica com radicalidade, e propõe outra escala de valores e outros paradigmas de justiça. Não o representam as igrejas e comunidades que se fecham como gueto dos 99 justos, como seita que reúne os cidadãos mais honrados, ou as sociedades que premiam os vencedores por terem mérito e punem os empobrecidos porque os consideram fracassados.

Acolher com amor a Palavra de Deus
A Palavra de Deus é viva e eficaz. Ela não volta vazia. Que o Senhor nos dê um coração humilde e generoso, capaz de acolher a semente e produzir muito fruto para a glória de Deus e o bem dos irmãos.

O semeador saiu a semear
Não cabe a nós decidir onde semear ou estabelecer a data e a quantidade da colheita. Mas é preciso seguir o exemplo de Jesus semeando a boa semente da Palavra em todos os lugares e em todos os tempos. Fazer isto é sinal de fé no poder da Palavra e esperança no tempo de Deus.

Olhar a dor do outro como se fosse minha
Como cristãos podemos e devemos ser solidários, manifestando a nossa compaixão e nos tornando sinal do amor, da ternura e da misericórdia de Deus para com os irmãos que padecem. O bom samaritano não fica perguntando quem é meu próximo, ele se faz próximo daquele que precisa, sabe manifestar compaixão, é capaz de ações de misericórdia, generosas, desinteressadas e livres de preconceitos. O exemplo dele é Jesus, que se fez próximo de cada um, dos justos e injustos, dos santos e pecadores, dos amigos e inimigos. Ele está atento não só às próprias preocupações, mas também às necessidades dos outros. Para o samaritano, o próximo não é definido por uma teoria, mas por um apelo à sua misericórdia: o fazer-se próximo pelo amor-caridade, comprometido com a vida, com o irmão, com a vida eterna no Reino de Deus.

O valor do descanso na vida cristã
Descansar, para o cristão, não é interromper a vida. É permitir que o Senhor restaure aquilo que o excesso de preocupação desgasta, reacenda a esperança e fortaleça a missão. Quem sabe repousar em Deus retorna ao caminho com o coração mais livre, o olhar mais sereno e a alegria renovada para servir.

Um falso dilema
Afirmando a transcendência absoluta de Deus, a teologia judaico-cristã relativiza todos os conceitos e instituições. Ao mesmo tempo, afirma a dignidade incorruptível de cada criatura, em razão de sua relação ontológica com a divindade. O conflito só existe entre um pensamento fechado e uma noção de Deus como Outro que chama, desperta e envia.

Vinde a mim
Amar é um “jugo” porque é o verdadeiro remédio para as feridas da humanidade, quer materiais, como a fome e as injustiças, quer para dar um sentido para a vida, quer para os problemas éticos, por dar um parâmetro. Para o cristão a fonte do amor é Deus. Jesus pede para aceitar o jugo do amor que faz a pessoa humilde, simples e “ter um coração semelhante ao do Senhor”, como se reza na Ladainha do Sagrado Coração de Jesus.